O think tank European Leadership Network expressou esta quarta-feira a sua preocupação com a “dinâmica perigosa” supostamente alimentada pelos exercícios da Aliança Atlântica (NATO).

“A Rússia está a preparar-se para um conflito com a NATO, e a NATO está a preparar-se para um possível conflito com a Rússia”, escreve o grupo de análise baseado em Londres.

O think tank pan-europeu atenta na realização de dois exercícios de grandes dimensões, um liderado pelos russos, com a mobilização de 80 mil homens em março de 2015 e que segundo os autores “não pode ser senão uma simulação de uma guerra com a NATO”, e outro da NATO, em junho nos países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia), na Polónia e na Suécia, com a participação de 15 mil militares.

“Cada parte está a treinar-se tendo em vista as capacidades da outra, e tendo muito provavelmente projectos de guerra em mente”, afirma o relatório.

“Não estamos a sugerir que os dirigentes de cada lado decidiram partir para a guerra, ou que um conflito militar entre os dois é inevitável, mas é um facto que o perfil dos exercícios mudou, e que isso contribui para manter o clima actual de tensões na Europa”, conclui.

A NATO já reagiu à publicação, refutando a ideia de que os seus exercícios militares estejam a aumentar as probabilidades de uma guerra com a Rússia.

Os exercícios militares realizados pela Aliança “não aumentam a probabilidade de uma guerra na Europa“, declarou Carmen Romero, porta-voz da Aliança, citada pela agência France Presse.

Para a porta-voz da NATO, a Aliança multiplicou os exercícios nos países da Europa de Leste procurando “aumentar a segurança e estabilidade na Europa em resposta à agressão crescente da Rússia”, sendo as suas actividades “proporcionadas” e “defensivas”.

A NATO não procura um conflito com a Rússia“, defende, “mas a Rússia alterou fronteiras com a força [na Crimeia, em Fevereiro de 2014], sustém os separatistas na Ucrânia e ameaça colocar mísseis nucleares perto das fronteiras da Aliança”, sublinha, em referência ao projecto de Moscovo de colocar ogivas nucleares em Kaliningrado, perto da fronteira polaca, e de estacionar bombardeiros nucleares na Crimeia.

Com mais de quatro mil manobras anunciadas em 2015, “a escala e o âmbito dos exercícios russos vão bem além de tudo o que a Aliança faz, e aumentam as tensões em toda a região“, continuou, atentando especialmente nos numerosos exercícios sem aviso prévio realizados pelas forças russas.

Segundo a porta-voz, a NATO anuncia os seus exercícios com vários meses de antecedência, e convida observadores internacionais para os mesmos, nomeadamente russos.

/Lusa