NASA

Uma nave espacial russa Soyuz TMA-6 aproxima-se da estação Espacial Internacional

A Rússia e a China estão determinadas a concretizar um avanço significativo no estudo do espaço. Este mês, os cientistas dos dois países vão coordenar um plano de cooperação na área, anunciou o director do Instituto russo de Investigação do Espaço, Lev Zeleny.

Cada uma das partes tem 15 a 20 propostas para a realização de experiências conjuntas, pata um só programa de exploração espacial. Os detalhes não foram, por agora, revelados, sabendo-se apenas que esta orientação foi traçada no âmbito de acordos intergovernamentais sobre a cooperação na área do espaço.

O acordo foi assinado em outubro, durante a visita do chefe de governo da China, Li Keqiang, a Moscovo.

Os cientistas russos e chineses estão a preparar um avanço significativo, considera Igor Marinin, redactor-chefe da revista russa Novosti Kosmonavtiki.

“A cooperação pode passar quer por experiências conjuntas, quer por troca de equipamentos de investigação de planetas e do espaço”, diz Marinin. “O importante é que tanto em questões científicas, como tecnológicas, o espírito é de cooperação”.

Segundo Marinin, a China seguia até agora o seu próprio caminho, apropriando-se de avanços tecnológicos de outros países, nomeadamente russos, sem promover qualquer programa de cooperação. “Por isso, esta é uma tendência muito positiva”, diz Marinin, citado pela RVR.

Segundo Oleg Ostapenko, director da a agência espacial russa Roscosmos, o interesse da China é sobretudo em dois eixos concretos de cooperação com a Rússia.

Um deles passa pela construção conjunta de motores de foguetões. Os chineses, em resposta à proposta russa, insistem na transferência de tecnologia de produção para a China.

Em troca, propõe retirar quaisquer limitações à exportação de produtos electrónicos para a Rússia.

Dennis M. Davidson / NASA

Conceito artístico de uma base lunar, com astronautas e um rover lunar semelhante aos 3 usados nos programas Apollo da NASA

Outro potencial eixo de cooperação passa pelo intercâmbio de voos espaciais tripulados para as estações espaciais russa e chinesa.

Mas existe a barreira linguística. A viagem de astronautas chineses nos foguetões russos é mais simples, porque os chineses aprendem mais fácil e rapidamente a língua russa.

Mas o acesso da China à Estação Espacial Internacional, onde a Rússia é um dos parceiros, tem que ser coordenado com todas as partes interessadas, incluindo com os Estados Unidos, que se opuseram categoricamente à participação dos chineses no projecto.

Mas os chineses não estão de acordo em ir à EEI, como se fossem turistas, sem que tenham o direito de sair do sector russo da estação – querem enviar à EEI um astronauta, não um turista”.

Para já, o projecto mais realista, tanto no plano político como tecnológico, passa pelo estudo conjunto da Lua e de Marte, consideram os especialistas – incluindo a eventual construção de uma base espacial no satélite.

ZAP / RVR