José Sena Goulão / Lusa

O candidato à liderança do Partido Social Democrata, Rui Rio (esq), visita o Bairro da Cova da Moura, na Amadora

O candidato à liderança do PSD diz que deve ganhar quem os portugueses considerarem ter mais capacidades para liderar o Governo e pede uma ação civil para “dar à democracia a vitalidade que precisa”.

O candidato à liderança do PSD, Rui Rio, defendeu esta quarta-feira que Portugal precisa de um novo 25 de Abril, não militar mas civil, para “dar à democracia a vitalidade que precisa”.

Na apresentação da sua Comissão de Honra, em Lisboa, o antigo autarca do Porto voltou a defender, como um dos pilares do seu programa político, uma reforma do regime.

Rui Rio diz que o “regime está doente”, lembrando que este tem 41 anos – referindo-se à aprovação da Constituição em 1976 – os mesmos que o Estado Novo quando ruiu “com um encontrãozito”.

Acho que nós precisamos de um novo 25 de Abril, não um 25 de Abril militar, mas um 25 de Abril civil e reformista. Estamos em hora de revisitar o 25 de Abril para dar à democracia a vitalidade que ela precisa”, defendeu o candidato às eleições presidenciais do PSD.

Para Rui Rio, era impossível que o atual regime mantivesse a mesma vitalidade numa sociedade que mudou muito nas últimas quatro décadas e salientou que o que está em crise é mais a substância da democracia que os seus formalismos.

“Se não ajustarmos o regime a esta sociedade só por milagre teremos as pessoas de braço dado com o regime e não afastadas como estão”, afirmou, dizendo que este afastamento se sente não só na política, mas também na justiça ou nas relações de poder.

Esta reforma foi apontada como uma das tarefas que o PSD não pode fazer sozinho, demarcando-se de “manobras táticas de curto prazo” que, no seu entender, acabam por adiar os desígnios do país.

Rui Rio aconselhou ainda os militantes a “falarem com os portugueses e perceberem o que eles querem” sobre quem será o melhor candidato para liderar o PSD, a fim de “votarem nele” no dia das eleições. “Não vale a pena ganhar eleições cá dentro se isso não significar nada lá fora”, sustenta.

O candidato sublinhou que a redução do défice e do endividamento não são objetivos, mas sim meios de melhorar as condições de vida dos portugueses. Atualmente, Portugal está nos 70% da média do PIB per capita da União Europeia, mas Rui Rio quer alcançar uma “meta arrojada” e procurar, no mais curto espaço de tempo, chegar aos 101%.

Por último, Rui Rio criticou o modelo de crescimento praticado antes da troika e o que tem sido seguido, em parte, pelo atual Governo. “Se Bruxelas não impusesse barreiras estávamos outra vez numa situação pré-troika”, afirma.

O PSD marcou eleições diretas para 13 de janeiro e, até agora, anunciaram-se como candidatos à liderança o antigo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e o antigo primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes.

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