Estela Silva / Lusa

O economista Rui Rio, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto

O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio desmentiu hoje que “tenha decidido o que quer que seja” sobre uma eventual candidatura a Presidente da República, explicando que estas decisões têm que ser “pensadas e amadurecidas”, necessitando de tempo.

Em causa está uma notícia avançada pela estação televisiva SIC, na passada sexta-feira, segundo a qual o ex-autarca já teria decidido avançar para Belém, estando só a ultimar os contactos para anunciar a candidatura até ao final do mês de junho.

“Eu desminto que tenha decidido o que quer que seja. É isso. E quem sabe se decidiu sou eu e não terceiros, nem quartos, nem quintos”, esclareceu Rui Rio, à margem da conferência do Jornal de Notícias que marca os seus 127 anos, a decorrer hoje na Casa da Música, no Porto.

O ex-presidente da Câmara do Porto considerou “profundamente lamentável” que a notícia tenha sido avançada sem perguntarem “ao principal interessado”.

“E quando o principal interessado desmente, dizem que ele recuou“, frisou.

O antigo autarca da Câmara do Porto enfatizou que “estas coisas têm que ser pensadas, têm que ser amadurecidas”, não se tratando de “nenhuma brincadeira” porque “é uma coisa muito séria e portanto necessita de tempo e de auscultação da opinião dos outros”.

“Não há dúvidas que alguém meteu a notícia com uma intenção

. Não sei se era com a intenção de me provocar para eu dizer qualquer coisa, com a intenção de eu desmentir para depois dizer que recuei. Não sei. Mas a intenção bonita não é”, lamentou.

Rio comparou este acontecimento à “criação de factos políticos para depois a própria comunicação social andar a debater aquilo que não existe”.

Questionado pelos jornalistas sobre se se sentia prejudicado, o social-democrata afirmou que não é isso que está em causa, mas sim “a forma de fazer as coisas”.

“Na degradação que temos na nossa vida pública, a comunicação social tem uma responsabilidade enorme e isto que agora fizeram comigo é um exemplo dos muitos exemplos que se pode dar”, criticou.

Rui Rio deixou outras questões no ar: “E os outros que não decidiram não têm tabu? Só eu é que tenho tabu? As pessoas têm que ter um ‘timing’ próprio para acabar a sua reflexão?”.

/Lusa