Rui Pinto / Twitter

Hacker Rui Pinto

O pirata informático respondeu, esta terça-feira, através do Twitter, às críticas do antigo sócio fundador da sociedade de advogados PLMJ que, em tribunal, lhe chamou “ladrão”.

Esta terça-feira, na 17.ª sessão do julgamento sobre o processo “Football Leaks”, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, chamou ladrão a Rui Pinto, denunciando a “violência moral e psicológica” do pirata informático.

“Fui visitado por esse senhor, que só lhe posso chamar ladrão e que, com grande violência moral e psicológica, me veio furtar. (…) Não posso admitir em circunstância alguma que um cidadão, ainda que fosse com aparentes motivos nobres, faça o que foi feito comigo. É totalmente inadmissível do ponto de vista ético ou jurídico”, afirmou o ex-advogado.

O agora comentador televisivo disse ainda que o acesso aos documentos pessoais e profissionais, mesmo sem a posterior publicação online, foi como “uma espada” sobre a sua cabeça, considerando até “mais grave um ladrão que entrou no computador do que um ladrão que entra em casa”.

No mesmo dia, Rui Pinto recorreu ao Twitter para responder às críticas feitas por Júdice, acusando o antigo sócio fundador da sociedade de advogados PLMJ de lidar “durante décadas com ladrões e nunca se queixar”.

“José Miguel Júdice lidou durante décadas com ladrões, que lhe encheram a conta bancária através de honorários milionários, e nunca se queixou. Defende com unhas e dentes Ricardo Salgado, dizendo que não é nenhum gangster. Acho um piadão a este ex-MDLP”, escreveu o hacker na rede social.

O julgamento prossegue, esta quarta-feira, a partir das 14h00, com as audições dos advogados Miguel Reis, Diogo de Campos e Sandra Lopes e as secretárias Mónica Dias, Fátima Bulhosa, Ana Paula Bago e Isabel Mascarenhas, todos na condição de testemunhas e ligados à PLMJ.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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