Tiago Petinga / Lusa
A embaixadora e ex-MPE, Ana Gomes
Ana Gomes fez uma comparação entre a detenção do hacker português Rui Pinto e o facto de inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), suspeitos de agredir um cidadão ucraniano até à morte, estarem em casa.
A ex-eurodeputada Ana Gomes voltou a sair em defesa de Rui Pinto nas redes sociais, através de uma comparação entre a detenção do hacker e o facto de inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), suspeitos de agredir um cidadão ucraniano até à morte, estarem em casa.
Os três inspetores do SEF suspeitos de terem agredido mortalmente o cidadão ucraniano ficaram, há uma semana, em prisão domiciliária. “Não compreendo que Rui Pinto seja mantido em prisão preventiva, enquanto agentes do SEF acusados de assassinar imigrante ucraniano são mantidos em casa“, escreveu no Twitter.
O pirata informático Rui Pinto, de 30 anos, foi detido na Hungria e entregue às autoridades portuguesas, com base num mandado de detenção europeu (MDE), e está em prisão preventiva desde 22 de março deste ano.
A 19 de setembro, o Ministério Público acusou-o de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, sete deles agravados, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República, e posterior divulgação de documentos confidenciais.
De acordo com a acusação do MP, entre 6 de novembro de 2018 e 7 de janeiro de 2019, o arguido “efetuou um total de 307 acessos” à PGR, e obteve documentos dos processos de Tancos, BES e Operação Marquês, entre outros. Entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019, Rui Pinto consultou mais 12 processos em segredo de justiça.
Para fazer a comparação, Ana Gomes recorreu ao caso de três homens, agentes do SEF, que “serão os presumíveis responsáveis da morte de um homem de nacionalidade ucraniana, de 40 anos, que tentara entrar, ilegalmente, por via aérea, em território nacional”, no passado dia 10 de março.
O alegado homicídio terá sido cometido nas instalações do Centro de Instalação Temporária do SEF, no aeroporto de Lisboa, no dia 12 de março, após a vítima ter supostamente provocado alguns distúrbios no local.
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As coisas não funcionam assim. Rui Pinto está preso preventivamente e muito bem por estar acusado de vários crimes. Os inspetores do SEF deviam, isto sim, estar igualmente presos preventivamente até ao cabal esclarecimento do caso que a confirmar-se é um crime bárbaro, hediondo e "repugnante". A ideia que fica é a de que a justiça está a dar um tratamento previlegiado aos agentes da autoridade, que neste caso não o merecem. Ana Gomes deveria é oferecer-se para ficar na prisão no lugar do Rui Pinto de tanto que o quer ver em liberdade.