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Projeto para novo Aeroporto no Montijo

O geógrafo e investigador Carlos Antunes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa critica o Estudo de Impacte Ambiental do aeroporto do Montijo, considerando que apresenta erros de cálculo e que não prevê os riscos da subida do nível do mar.

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do novo aeroporto do Montijo “omite projecções mais extremas e subestima a amplitude dos riscos da subida do nível do mar e os seus impactos no projecto”, aponta o especialista Carlos Antunes do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em declarações ao Expresso.

Carlos Antunes afirma que há “erros de cálculo nas variáveis usadas” pelos técnicos que fizeram o EIA. Uma conclusão depois da consulta aos documentos que foram divulgados para consulta pública.

O investigador que também coordena o projecto “Cenários da subida do nível do mar para Portugal Continental” refere que o estudo “não segue o princípio da máxima precaução“, não identificando todos os riscos associados às alterações climáticas.

O EIA traça um cenário de inundação máxima de 3,42 metros, considerando que “não há risco para a pista”. Mas Carlos Antunes frisa que “numa situação extrema, se a maré subir até 4,17 metros, perto de 1,6 quilómetros da base aérea podem ficar submersos

, incluindo 400 metros da pista actual. “E se chegar a seis metros, pode submergir 700 metros de pista”, avisa o especialista.

Carlos Antunes repara ainda que há projecções que alertam que, num cenário de tsunami em Lisboa, “a água inundará 1 a 2 quilómetros da faixa costeira ao longo do Estuário do Tejo e poderá chegar à altura de um terceiro andar na frente ribeirinha”.

Desta forma, Carlos Antunes entende que o EIA viola a Lei por não contemplar, como devia, o impacto das alterações climáticas no projecto do novo aeroporto.

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