As alterações climáticas, as barragens e os desvios de água para a agricultura e para campos de golfe, em Espanha, deixam o rio Tejo “à beira do colapso” e da seca completa.

O alerta é deixado por ambientalistas contactados pelo jornal britânico The Guardian, que salientam que o rio mais longo da Península Ibérica está “à beira do colapso” e “em perigo de secar completamente”.

Esta ideia é defendida pelo porta-voz da Plataforma de Defesa do Tejo, Miguel Ángel Sánchez, que, em declarações ao jornal, refere que “o rio entrou em colapso por via de uma combinação de alterações climáticas, de transferências de água e dos resíduos que Madrid produz”.

Organizações ambientalistas portuguesas têm acusado, sucessivamente, as autoridades espanholas de reterem águas nas barragens, de forma indevida.

Mas, actualmente, os níveis das barragens estão muito abaixo do esperado, o que nem sequer permite as transferências de água previstas na lei. As aberturas das comportas só é exigida por lei quando as barragens atingem excedentes de água.

A seca que aflige Espanha é um dos factores mais preocupantes para os níveis decrescentes da água do Tejo. É que grande parte das transferências feitas do rio destina-se à irrigação de produções de frutas e vegetais.

Mas também há desvios de água para a rega de campos de golfe

e o Tejo é também usado para o arrefecimento de reactores nucleares, nomeadamente da Central de Almaraz.

Por outro lado, o rio recebe directamente o despejo das águas residuais da cidade de Madrid. Perante todos estes , diz o The Guardian, o futuro do Tejo é negro, sobretudo porque os períodos de seca tendem a ser cada vez mais frequentes, na Península Ibérica.

Um estudo recente divulgou que Portugal e Espanha são particularmente sensíveis aos efeitos das alterações climáticas e que podem ver as “hipóteses de calor extremo” aumentar “até quatro vezes mais” e de forma mais frequente, nos próximos anos.

A juntar a todos estes factores, adiciona-se, ainda, a sobrevalorização dos recursos hídricos disponíveis que tem sido feita no planeamento e na gestão das águas do Tejo. Uma realidade que leva Nuria Hernández-Mora, da Fundação para uma Nova Cultura da Água, a falar dele como “um dos rios no pior estado ecológico da Península”.

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