Mário Cruz / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio

O líder do PSD defendeu que será mais fácil o partido chegar ao poder se vencer as diretas no sábado. Sobre o Chega, admite o seu perfil populista e por vezes extremista, mas tem dificuldade em classificá-lo de extrema-direita.

Numa entrevista à TSF, divulgada esta sexta-feira, Rui Rio defendeu que será “muitíssimo mais fácil” o partido chegar ao poder se vencer as diretas deste sábado, mas, se não conseguir ser primeiro-ministro, prometeu preparar o seu “sucessor”.

“Se eu ganhar as eleições e, ainda assim, não conseguir chegar a primeiro-ministro, eu tenho, o partido tem que fazer em paralelo um trajeto em que faça emergir aquele que deve ser o meu sucessor para chegar ao poder. Se eu chegar, a questão não se põe”, afirmou o presidente do PSD.

O recandidato à liderança disse que, para já, não tem esse nome na cabeça e reconheceu que são hoje menos as figuras destacadas do PSD do que há 20 anos: “Não há um leque de escolha brutal, mas há alguns, e outros que estão numa segunda linha e em que é preciso reparar para ver se chegam a patamar de primeira linha”, afirmou.

“Eu acho que é muitíssimo mais fácil o PSD chegar ao poder se eu ganhar as eleições de sábado do que se não ganhar. Se isso não fosse para mim evidente, também não estava a candidatar-me”, afirmou.

Questionado sobre a sua forma de fazer oposição, Rio considerou que não a fez da forma que gostaria de a ter feito, até para para pôr o partido a funcionar como entendia que devia ser, porque, para isso, “teria de ter tido uma paz interna” que não teve.

“Estou convencido de que, se ganhar, o partido já está mais apto, mais consciente para censurar aqueles que ainda assim possam continuar a boicotar a atividade

da direção legitimamente eleita através do ato eleitoral que vamos ter agora”, declarou, acrescentando que se continuarem por esse caminho, não sabe qual é que pode ser o futuro do PSD.

“É exagerado classificar o Chega de extrema-direita”

Na mesma entrevista, o líder social-democrata considerou que é “um bocadinho exagerado” dizer que o Chega é de extrema-direita ou fascista” e remeteu uma decisão sobre entendimentos futuros com este partido para o momento em que se coloque, de forma real, a necessidade de fazer coligações. Mas também avisou que só terá abertura para isso se o partido se moderar.

“O Chega é muito jovem, só tem um deputado, é muito difícil perceber o que vai ser dentro de um ano ou dois. Acho que é um bocadinho exagerado classificarmos o Chega de fascista ou de extrema-direita. Tem algumas posições extremistas e de perfil populista, se forem ganhando peso no Chega não será possível entendimentos com o PSD, se se forem moderando penso que sim”, disse.

Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são os três candidatos que disputam, no sábado, a presidência do partido em eleições diretas. Se nenhum obtiver mais de 50% dos votos, a segunda volta realiza-se, no dia 18, entre os dois candidatos mais votados. O 38.º Congresso do PSD realiza-se entre 7 e 9 de Fevereiro em Viana do Castelo.

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