Rodrigo Antunes /Lusa

Já arrancou no Parlamento o debate do programa do Governo, com Rio Rio a assumir um tom mais crítico do que vem sendo habitual e António Costa a prometer “uma nova página de prosperidade”, depois de ultrapassada a da “austeridade”.

Depois da austeridade, a “prosperidade”. É a “nova página” que António Costa promete abrir no arranque do debate do programa do Governo que começou, nesta quarta-feira, no Parlamento, com Rui Rio a assumir um tom mais crítico do que vem sendo habitual.

Uma das primeiras farpas do líder do PSD a António Costa prende-se com a constituição do Governo que é o maior de sempre em democracia. “É o governo mais caro e maior da história toda de Portugal”, criticou Rio, salientando que é quase preciso “um roteiro para a gestão” do Executivo que é composto por 70 pessoas.

Em resposta a Rio, Costa aconselhou-o a preocupar-se com o que lhe compete, designadamente “com a redução do tamanho do seu grupo parlamentar“.

Na abertura do debate, Rio também referiu a “despromoção” do ministro das Finanças, referindo-se ao facto de Mário Centeno ficar de fora da discussão do programa do Governo. “O Ronaldo é despromovido na hierarquia do Governo”, apontou Rio, concluindo que Costa prescindiu do seu “emblema máximo”.

Pode dizer que o senhor ministro não vai sair do Governo durante o próximo ano, designadamente quando terminar a presidência do Eurogrupo e terminar o mandato do Governador do Banco de Portugal? Está de pedra e cal e não é um ministro a prazo?”, questionou Rio sobre Centeno.

O líder do PSD falou ainda da “promoção” de João Galamba na estrutura do Governo, lembrando o negócio do lítio e as suspeitas em torno da concessão da exploração “a uma empresa que tinha três dias, tinha sede numa freguesia do PS, constituída com 50 mil euros para um negócio de 350 milhões de euros, e concessionou sem estudo de impacto ambiental”.

Será que “está em condições de dizer a esta câmara e ao país que, no plano legal político e ético, o Secretário de Estado [João Galamba] agiu bem, sem qualquer mácula?”, perguntou Rio a Costa.

“Não transforme o Parlamento em julgamentos de tabacaria“, ripostou Costa.

Avisos à esquerda

No debate no Parlamento, notou-se também uma troca de palavras de desafio entre Costa e os parceiros da geringonça.

“Sem os votos de toda a esquerda e os votos do PAN, a direita não vence a esquerda nesta Assembleia da República e este dado não é aritmético, é político”, vincou o primeiro-ministro, reforçando que o PS tem a responsabilidade de “promover o diálogo e o compromisso”, mesmo sem um acordo escrito, mas denotando que Bloco de Esquerda (BE) e PCP não devem fugir às suas responsabilidades.

“A nossa responsabilidade é o nosso mandato, e nós cá estamos para negociar soluções concretas para melhorar a vida das pessoas, é nisso que estamos empenhados”, sustentou Catarina Martins. “A pergunta da legislatura

é se o PS e o Governo estão dispostos a essa negociação”, desafiou a líder do Bloco.

“Obviamente, sim”, foi a resposta clara de Costa, apontando que não foi por ter “ganho mais lugares e encolhido o PSD” que o PS se desviou “para a direita”. “O nosso lugar é onde nascemos: da esquerda democrática”, afirmou.

Também Jerónimo de Sousa desafiou Costa a responder se “vai ou não o Governo convergir com as propostas do PCP“, falando de um programa “vago” e enumerando o aumento geral dos salários como uma “emergência nacional” e o salário mínimo de 850 euros como as grandes prioridades do seu partido.

Enquanto houver caminho para andar, vou andar, e espero não andar sozinho“, salientou Costa, abrindo a porta a entendimentos com os comunistas.

“Estamos aqui para dar continuidade à mudança que iniciámos em 2015”, acrescentou o primeiro-ministro.

Costa consciente de que não lhe basta “mais do mesmo”

Na abertura do debate do programa de Governo, Costa prometeu que, depois de “virar a página da austeridade”, é tempo de abrir “uma nova página de prosperidade”. E apresentou o “roteiro” do Governo nesse sentido, falando de travar as alterações climáticas, da modernização do Estado, do fim da precariedade, do desenvolvimento do Interior e do combate às desigualdades.

Prometendo reforços do investimento nos transportes, na Saúde e na Educação, a subida de todos os salários e o incentivo à contratação de jovens qualificados, Costa garantiu que vai governar “com humildade, mas ambição, sabendo que os desafios são muitos”, mas “com a confiança de os superar”.

Costa vincou também que está consciente de que não basta ao seu Governo “mais do mesmo” em relação à anterior legislatura e que é necessário obter melhores resultados, pelo que “o desafio é ainda maior“.

“Temos agora de fazer ainda mais e melhor“, declarou o líder do executivo, assumindo como como objectivos para o país alcançar “ainda mais crescimento, ainda melhor emprego, ainda maior igualdade e sempre com contas certas“.

O debate do programa do Governo encerra na quinta-feira com a intervenção do ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

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