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Feliciano Barreiras Duarte, secretário-geral do PSD, com o presidente do partido, Rui Rio

Rui Rio “está-se a deixar queimar em lume brando”, depois de uma semana e meia em que “andou aos bonés” com a “aldrabice” de Feliciano Barreiras Duarte. Palavras duras de Marques Mendes numa altura em que o presidente do PSD tem mais um problema para resolver, depois da demissão do secretário-geral do PSD.

A demissão de Feliciano Barreiras Duarte do cargo de secretário-geral do PSD, após as polémicas com o seu currículo académico e com as ajudas de custo que recebeu enquanto deputado, deixa Rui Rio com a sua imagem fragilizada, como alerta Marques Mendes, no seu habitual espaço de comentário na SIC.

E de resto, cria mais um problema ao presidente do PSD que tem que eleger um novo secretário-geral com o aval do Conselho Nacional (CN), onde não tem maioria.

Na lista conjunta que fez com Santana Lopes para o Conselho Nacional, Rio conseguiu apenas 34 em 70 lugares. E desses 34, alguns são apoiantes de Santana Lopes, o que pode vir a complicar as hipóteses de aprovação de um nome que não se afigure consensual.

As possibilidades em cima da mesa, revela o Diário de Notícias, são Pedro Alves, deputado e presidente da distrital de Viseu, Adão Silva, vice-presidente da bancada parlamentar, e Maló de Abreu, vogal da Comissão Política do PSD. A Renascença avança que Adão Silva é o mais provável sucessor de Barreiras Duarte.

Mas, mesmo que esse processo de eleição do novo secretário-geral do PSD decorra ao gosto de Rui Rio, é certo que a sua imagem ficou prejudicada com a “novela inqualificável” em torno de Barreiras Duarte, nota Marques Mendes na SIC.

Para o comentador é evidente que Barreiras Duarte “falsificou, aldrabou o seu currículo” e, por isso, diz que é “estranho” que Rio tenha demorado a agir, só desafiando o seu secretário-geral para se demitir neste sábado, vários dias depois de estalar a polémica.

“Fica a sensação de que ou tinha medo ou estava condicionado“, considera Marques Mendes, notando que Rio “está-se a deixar queimar em lume brando” enquanto “António Costa assiste de palanque”.

O ex-líder do PSD diz que Rio “devia ter decidido isto de forma mais rápida e eficaz”, uma vez que a sua grande vantagem política é a “imagem de seriedade e de pessoa de princípios”. “Não tem imagem de grande estadista, de grande ideólogo, a imagem é de seriedade e ao pactuar com estas situações, dias e dias a fio, dá cabo do melhor que tem”, constata.

“Tem a imagem de uma pessoa corajosa que corta a direito. Onde é que está a coragem? Onde corta a direito?”, acrescenta Marques Mendes, concluindo que o recente líder do PSD “andou aos bonés” durante semana e meia.

Marques Mendes também alerta o presidente do PSD de que “enquanto não tiver causas para apresentar, vai ter casos como estes”.

“Ataques de pessoas que tinham influência” no PSD

Na sua carta de demissão, Barreiras Duarte justifica a decisão com o facto de ter atingido o limite “face à violência inusitada dos ataques e aos efeitos” que lhe causaram e à sua família. Todavia, o ex-secretário-geral do PSD nota que o principal alvo desses “ataques” é Rui Rio, considerando, assim, que “ficar seria avolumar o problema e não contribuir nada para a solução”.

Saio de consciência tranquila“, constata, entretanto, Barreiras Duarte numa entrevista à TSF. “Não há lugar a arrependimentos”, diz ainda, frisando que os “ataques” de que fala foram perpetrados por “pessoas que no congresso deram nota de que gostariam que Rui Rio tivesse dificuldades”.

“Há pessoas que tinham influência” no PSD “e que percebem que agora com Rui Rio há um estilo diferente”, refere também Barreiras Duarte, concluindo que o objectivo é que “Rui Rio não tenha sucesso“.

O político recusa-se a avançar nomes, para não “dar origem a outro tipo de polémicas”, e constata que já sabe de “outro tipo de situações de que já se fala em relação a outras pessoas do PSD”.

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