David J. Stang / Wikimedia

Diceros bicornis, o rinoceronte negro, está em vias de extinção

Oito rinocerontes-negros morreram depois de terem sido transferidos para o parque natural de Tsavo Leste, o maior do Quénia, informou o governo queniano esta sexta-feira.

O Serviço de Conservação da Vida Selvagem do Quénia, KWS,  abriu um inquérito para esclarecer a causa das mortes dos animais, cuja espécie está em vias de extinção.

A transferência de 11 rinocerontes-negros das reservas de Nairobi e do lago Nakuru foi feita no âmbito de um plano que contou com a participação do Fundo Mundial para a Natureza, WWF. O objectivo era criar espaços mais seguros para os animais, num habitat adequado.

O incidente, que foi classificado como “um desastre”, duplica o número de mortes de rinocerontes negros em operações semelhantes nos últimos 12 anos.

“Esta não é a primeira vez que o KWS transfere animais, pelo que merecemos saber a causa da morte deste animal precioso. Algo correu mal e queremos saber o quê“, disse Paula Kahumbu, diretora da ONG ambientalista Wildlife Direct, que exigiu do ministro de Turismo e Vida Selvagem, Najib Balala, uma investigação rápida do episódio.

“Isto é uma enorme tragédia ambiental, não apenas no Quénia, mas para os rinocerontes de todo o mundo”, lamentou Kahumbu.

Segundo o Ministério do Turismo, investigações preliminares sugerem que os rinocerontes possam ter sucumbido a “intoxicação por sal, como resultado da ingestão de água de alta salinidade na chegada ao novo ambiente”.

“Os altos níveis de sal levam à desidratação, que desencadeia o mecanismo de sede, resultando no consumo excessivo de água salina, o que agrava ainda mais

o problema”, dizem os autores do estudo. Um relatório completo, porém, ainda deverá ser divulgado nos próximos dias.

Enquanto isso, Balala ordenou que o KWS suspenda imediatamente a translocação em curso, e anunciou que “medidas disciplinares serão definitivamente tomadas, se as conclusões apontarem para negligência ou conduta não profissional por parte de qualquer oficial do KWS”.

A translocação de animais em extinção implica sedar os animais a transferir, colocando-os a dormir durante a viagem. Os animais são depois reanimados após a chegada ao seu destino, num processo que envolve certos riscos.

A perda de tantos rinocerontes de uma só vez, porém, é algo sem precedentes. Entre 2005 e 2017, por exemplo, um total de 149 rinocerontes foram deslocados desta forma, também com um saldo de oito mortos.

A ONG Save the Rhinos estima que haja menos de 5.500 rinocerontes-negros no mundo, todos localizados em África. No Quénia, a sua população é de 750 exemplares, de acordo com o Worldwide Fund for Nature.

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