Mário Cruz / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

O ex-presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, viu esta quarta-feiara as suas medidas de coação alteradas, podendo ficar em liberdade, mediante o pagamento de uma caução de três milhões de euros, revelou o Ministério Público.

O Tribunal de Instrução Criminal determinou que a prisão domiciliária de Ricardo Salgado fosse “substituída pela prestação de uma caução de 3 milhões de euros”.

“O arguido fica igualmente sujeito à proibição de contactos, designadamente com os restantes arguidos no processo, e à proibição de se ausentar para o estrangeiro”, refere uma nota à imprensa divulgada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A alteração da medida de coação surge no momento em que legalmente tinha de ser feita uma reavaliação da medida em vigor.

Ricardo Salgado encontra-se em prisão domiciliária, desde 24 de julho, no âmbito do processo “Universo Espírito Santo”, situação em que se manterá “até ser proferido despacho que julgue válida a prestação de caução”.

O ex-banqueiro ficou “sujeito à obrigação de permanência na habitação”, sem vigilância eletrónica, mas com polícia à porta da sua moradia em Cascais, a pedido do Ministério Público, que considerava existir perigo de fuga.

Além de Ricardo Salgado, foram constituídos arguidos na investigação ao “Universo Espírito Santo” a ex-diretora diretora financeira do BES, Isabel Almeida, e António Soares, Pedro Luís Costa, José Castella e Cláudia Boal de Faria, antigos responsáveis de topo em diversas empresas do grupo.

Em causa no processo estão suspeitas da prática de crimes

de falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no sector privado e branqueamento de capitais.

Ricardo Salgado é também arguido no processo Monte Branco, por branqueamento de capitais.

Defesa admite contestar caução

A defesa do ex-presidente do Banco Espírito Santo admitiu hoje contestar a alteração das medidas de coação de Ricardo Salgado que incluem o pagamento de uma caução de três milhões de euros para ficar em liberdade.

Em declarações à entrada para o julgamento do caso das Secretas, onde é advogado do presidente da Ongoing, Nuno Vasconcelos, Francisco Proença de Carvalho disse que Ricardo Salgado, a quem tinha sido decretada a prisão domiciliária, vai reagir muito em breve à decisão do juiz Carlos Alexandre.

O advogado acrescentou que a reação da defesa será conhecida muito em breve, depois de comunicada ao juiz.

Lembrou, a propósito, que está ainda pendente um recurso relativo às medidas de coação que tinham sido aplicadas a Ricardo Salgado e que os fundamentos desse pedido se mantêm válidos.

ZAP / Lusa