Mário Cruz / Lusa
Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates.
Desmentiu tudo, exaltou-se e chegou a ser agressivo com os investigadores da “Operação Marquês”, acusando-os de “delírio”. Assim descreve a Sábado a postura de José Sócrates no último interrogatório a que foi sujeito e onde foi confrontado com os indícios que há contra ele.
A revista Sábado teve acesso ao despacho de indiciação do Ministério Público (MP) com que Sócrates foi confrontado, durante o interrogatório do passado 13 de Março.
Na sua edição desta quinta-feira, a publicação revela o conteúdo do documento com 105 páginas, onde 103 incluem os indícios de crime imputados a Sócrates que deverão ser usados contra ele, aquando da formulação da acusação.
Os procuradores Rosário Teixeira, Filipe Preces e Filipe Costa, e o inspector das Finanças Paulo Silva terão confrontado Sócrates com esses indícios, acusando-o de ter escondido “luvas” pagas pelo Grupo Lena, pelo Grupo Espírito Santo e pelos responsáveis do Empreendimento Vale do Lobo, no Algarve.
Durante um interrogatório de cinco horas e meia, Sócrates exaltou-se em muitas ocasiões, chegou a “levantar a voz” e a ser “agressivo” para com os inquiridores, negando todos os indícios, conforme relata a Sábado.
O ex-primeiro-ministro acusou os investigadores do MP de puro delírio, argumentando que as insinuações contra ele são “falsas e mentirosas”, segundo nota a publicação.
127 entregas em dinheiro
No despacho a que a Sábado teve acesso, há novos dados sobre as entregas em dinheiro que Santos Silva terá feito a Sócrates. Em vez das 40 entregas em dinheiro vivo citadas inicialmente, o MP defende agora, que foram “pelo menos” 127.
Santos Silva terá feito 127 levantamentos bancários de dinheiro vivo, num total de 993 mil euros, “todos eles ocorridos na sequência de solicitação do arguido José Sócrates e/ou realizados no interesse deste”, defende o MP.
Os investigadores notam que os levantamentos começaram em Dezembro de 2010, quando Sócrates ainda era primeiro-ministro, e que as entregas eram feitas em envelopes em quantias entre os 10 mil e os 100 mil euros.
As despesas pagas pelo amigo de Sócrates
Além disso, Santos Silva também terá pago várias despesas de Sócrates, desde viagens e férias, passando por gastos com a casa e dentistas, até obras de arte.
No despacho, enunciam-se essas despesas, sendo que algumas delas são as seguintes, segundo cita a Sábado:
– 2,8 milhões de euros na compra de apartamento em Paris;
– 480 mil euros em obras e arquitectos no apartamento em Paris;
– 428 mil euros em viagens e alojamentos;
– 334 mil euros em honorários pagos à ex-mulher Sofia Fava;
– 200 mil euros em obras de arte;
– 173 mil euros em pagamentos a João Perna, motorista de Sócrates;
– 143 mil euros em férias com a ex-namorada Fernanda Câncio em Menorca (Espanha, 2008), em Veneza (2008/2009) e em Formentera (Espanha, 2014);
– 114 mil euros em exemplares do livro “A Confiança do Mundo” que foi escrito por Sócrates;
– 98 mil euros pagos a Ana Bessa, mulher do ex-ministro Pedro Silva Pereira;
– 95 mil euros a Domingos Farinho que terá ajudado Sócrates a escrever o livro “A Confiança do Mundo”;
– 92 mil euros em mobiliário e despesas de condomínio do apartamento de Paris;
– 92 mil euros pagos a Sandra Santos, amiga de Sócrates;
– 80 mil euros pagos ao blogger
– 58 mil euros em viagens e gastos de alojamento de Sócrates;
– 37 mil euros com o funeral do irmão de Sócrates, António Pinto de Sousa;
– 6 mil euros em consultas em dentistas de Sócrates e seus familiares;
O MP argumenta que alguns destes pagamentos foram combinados telefonicamente e com recurso a palavras em código, onde ficaria patente que o tom de Sócrates não era o de quem pedia dinheiro ao amigo, mas antes, o de quem dava ordens.
Suspeitas desde o caso Freeport
O MP alega, de forma resumida, que Sócrates interveio ilegalmente em negócios, que escondeu rendimentos através de “testas-de-ferro”, que usou a sua influência para beneficiar o Grupo Lena em obras no estrangeiro, que falsificou um contrato de arrendamento de um apartamento em Paris e que forjou informação em documentos de adesão ao perdão fiscal de 2010, no âmbito do dinheiro recuperado para Portugal de contas de Carlos Santos Silva na Suíça.
Numa dessas contas no UBS da Suíça, registada no nome da offshore Belino Foundation, estaria previsto que, no caso de Santos Silva morrer, 80% do saldo deveria ser entregue a José Paulo Pinto de Sousa, o primo de Sócrates.
O MP acredita assim, que o primo e o amigo seriam ambos “testas-de-ferro” do ex-primeiro-ministro.
Os investigadores da Operação Marquês também acreditam que Sócrates já recebia contrapartidas ilegais aquando das investigações dos casos Freeport e Face Oculta, ou seja, desde 2004, altura em que arrancou o primeiro processo. Após a chegada destes casos à comunicação social, Sócrates terá passado a ser mais cauteloso, argumenta o MP.
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Estes pro-socrates são de ter pena......