António Pedro Santos / Lusa
Falhou esta terça-feira o acordo para iniciar um processo de mediação entre Antram, que representa as empresas, e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP). A nova greve começa a 7 de setembro e termina no dia 22.
A Antram acusou, esta terça-feira, o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) de não estar disposto a chegar a acordo com os patrões, rejeitando a mediação do Governo no processo. Do lado dos motoristas, acusa-se a associação dos patrões de falta de disponibilidade para a negociação.
O porta-voz da Antram, André Matias de Almeida, disse à saída do Ministério das Infraestruturas que “não há mediação por culpa do sindicato dos motoristas”, que pretende impor condições à partida. O representante das empresas falava aos jornalistas no final de uma ronda de reuniões com o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas e o Governo.
“O sindicato quer impor à cabeça o resultado da mediação”, acusa o advogado André Matias de Almeida. Os representantes dos motoristas queriam aumentos superiores ao negociado com a Fectrans, disse o porta-voz da Antram.
Já o advogado do SNMMP, Pardal Henriques, diz que “a Antram não quis evitar uma possível greve por 50 euros“, além dos 125 euros já acordados com a federação de sindicatos, Fectrans, para o subsídio de operações, relativo ao risco de manuseamento de matérias perigosas, e trabalho noturno.
O porta-voz adianta que as formas de luta vão ser anunciadas já esta quarta-feira. Em cima da mesa pode estar um boicote ao trabalho extraordinário.
De acordo com Pardal Henriques, o sindicato impôs duas balizas para a mediação acontecer: que as horas extraordinárias além das 48 horas semanais sejam pagas aos motoristas, assim como um subsídio de 175 euros para o manuseamento de matérias perigosas.
Em entrevista à SIC Notícias, após a reunião, Pardal Henriques antecipou que esta quarta-feira será discutida pela direção do sindicato a data para uma nova greve às horas extraordinárias. O pré-aviso apontará para uma greve às horas extraordinárias dentro de duas semanas, “não por tempo indeterminado, mas com tempo definido”, reconheceu o porta-voz do sindicato.
A paralisação começa no dia 7 de setembro e termina no dia 22 – ou seja, dura até à véspera do início do período oficial de campanha para as legislativas.
No final da ronda de reuniões, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, deixou críticas ao sindicato por querer impor condições para negociar com os patrões. “Uma das partes quis definir resultados antes da mediação se iniciar. Não é assim que se faz uma mediação”, disse Pedro Nuno Santos.
O ministro afirma que desde abril que o Governo tem tentado mediar o conflito, admite que não esperava este desfecho e que não consegue explicar a posição do SNMMP. Pedro Nuno Santos afirma que um processo de mediação livre de pré-condições “não é impossível” e deu o exemplo dos entendimentos alcançados entre a Antram e outros dois sindicatos: a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM).
O ministro das Infraestruturas espera que não aconteça uma nova paralisação dos motoristas de matérias perigosas e sublinha que, em quatro meses, seria o quarta pré-aviso de greve.
Minutos antes, à chegada ao Ministério das Infraestruturas, o porta-voz da Antram, André Matias de Almeida, estava otimista e disse aos jornalistas que esperava assinar um acordo de mediação.
Portugal deixou de estar em crise energética, devido à greve de motoristas de pesados, desde as 00h00 desta terça-feira, acabando os limites ao abastecimento de combustível. O Governo aprovou na segunda-feira, em reunião eletrónica do Conselho de Ministros, o fim da crise energética declarada há 10 dias devido à greve de motoristas de pesados, a partir das 23h59 desse dia. No domingo, SNMMP decidiu, em plenário, desconvocar a greve, que se iniciou no dia 12.
A paralisação foi inicialmente convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas (SIMM), mas este último desconvocou o protesto na quinta-feira à noite, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo.
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Greve para pagamento de horas extraordinárias?
Todos temos conhecimento de que são efetuadas, creio que já se falou em horas pagas por fora, sem qualquer desmentido da Antram.
ACT, AT e S. S, já devem estar no terreno.
Esta greve apenas beneficia a Antram que vê a entrega de combustíveis ser efetuada sem ter que pagar um tostão em ordenados ou por fora, é efetuada recorrendo á requisição civil, paga por todos nós.
Não se compreende porque o estado coloca as autoridades a trabalhar de forma gratuita para esta empresa.
Claro que enquanto se mantiver este cenário a Antram nem vai querer falar com o sindicato, interessa-lhe que se mantenha a greve para que o serviço seja efetuado pelo estado de forma gratuita, enchendo desta forma os cofres da Antram.
Os Portugueses hipnotizados já à muito, não conseguem perceber o que se passa.
Porque razão a reunião foi efetuada apenas com a Antram? Não acredito que o estado nessa reunião garantisse à Antram que com a continuidade da greve o serviço lhes seria efetuado de borla, recorrendo à requisição civil.