Estela Silva / Lusa

O eurodeputado Nuno Melo, do CDS/PP

Telmo Correia mostrou as garras e atacou o primeiro-ministro, acusando-o de sempre ter sido um “privilegiado”. Em causa está a polémica sobre o tom de pele de António Costa no debate quinzenal, na sexta-feira.

O CDS decidiu responder à tirada do primeiro-ministro no debate quinzenal de sexta-feira, depois de se ter referido à sua própria “cor de pele” em resposta a Assunção Cristas.

Telmo Correia abriu as hostilidades, num discurso em Famalicão no âmbito das jornadas parlamentares do CDS. Durante o discurso, Telmo Correia afirmou que “foi o grau mais baixo do oportunismo, o grau zero, o bater no fundo. Sobretudo vindo de um privilegiado como ele é, e eu conheço-o. Vítima o primeiro-ministro? Vítimas são os portugueses”.

O eurodeputado Nuno Melo também não quis ficar de fora e afirmou: “Assunção, lavas-me a alma, quando vejo o primeiro-ministro irritar-se daquela maneira quando se dirige a ti”.

O racismo está na ordem do dia e marcou também presença nas jornadas parlamentares do CDS, que decorrem esta segunda e terça-feira em Braga. Nuno Melo deixou duras críticas ao Bloco de Esquerda e ao PCP, “que dão lições de democracia a todos, mas que defendem a ditadura em vez da democracia quando defendem o regime de Nicolás Maduro”.

As declarações de Mamadou Ba a propósito dos confrontos com a polícia no bairro da Jamaica também não foram esquecidas. “É um cidadão senegalês que está cá com o acolhimento devido, e bem, mas a quem só exigimos que nos respeite, respeite as nossas leis e os nossos valores. E quando as forças de segurança do meu país são chamadas de ‘bosta da bófia’, eu sinto-me ofendido”, disse o eurodeputado.

Logo de seguida, Melo deixou claro que a ofensa não é por se tratar de um cidadão senegalês, mas sim por trabalhar na Assembleia da República e dever “respeitar as instituições”, assinalou o Observador.

Assunção Cristas, líder do CDS, foi a última oradora da noite desta segunda-feira e, durante o seu curto discurso, lançou críticas pesadas ao PSD – ou, segundo o diário, àqueles partidos com quem disputa parte do eleitorado (onde também se pode incluir a Aliança).

Depois de ter prometido que este ano iria ser “histórico para o CDS”, Cristas disse que isso só iria acontecer porque, “ao contrário de outros“, o CDS tem criticado mas apresentado alternativas nas várias áreas temáticas.

“Ao contrário de outros, nós não nos satisfazemos com uma economia que cresce poucochinho, nem achamos que faça sentido ter uma carga fiscal máxima para serviços públicos mínimos”, disse, explicando que o CDS tem trabalhado, em todas as áreas, para ser “a alternativa”.

Numa segunda referência aos tais “outros”, Cristas congratulou-se de olhar para as eleições de maio e ver que a lista do partido já está escolhida – “ao contrário de outros que ainda estão a tentar decidir quem vai e não vai na lista”.

Para último, a líder do CDS deixou o tema legislativas: Cristas voltou a insistir que o CDS “é a única alternativa” ao Governo socialista e das esquerdas porque é “o único partido que não quer fazer nenhum acordo pós-eleitoral, e que acha que isso não faz sentido”.

“Para isso há outros, que estão dispostos a fazer isso, e de cores muito variadas”, disse. “Não há partidos grandes à partida, nem partidos pequenos à partida, há partidos que acreditam que podem crescer à custa do seu trabalho e não confiando em heranças de famílias”, concluiu.

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