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Miguel Relvas, ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares

“Está na hora”, eis o aviso que Miguel Relvas lança a Passos Coelho, defendendo que este é o momento de debater as primárias no PSD, logo depois das eleições autárquicas.

“Debater ideias interessantes não é ser contra ninguém”, refere Miguel Relvas, ex-ministro-adjunto de Passos Coelho em declarações ao semanário Expresso, defendendo a realização de um debate alargado sobre as primárias, logo depois das autárquicas e antes do congresso do PSD, que se vai realizar em Março de 2018.

“Está na hora do meu partido, que nunca foi um partido instalado, nem com dirigentes dependentes da vida política para viver, encarar este debate sobre as primeiras”, realça o ex-número dois de Passos, que tem estado afastado da vida política, desde que se demitiu do Governo, em 2013, no âmbito do escândalo da sua licenciatura na Universidade Lusófona.

“Entre Outubro e Março temos seis meses para fazer um debate em todo o país com a participação dos militantes, com a vantagem até de compensar eventuais situações menos agradáveis nas autárquicas”, acrescenta Relvas.

O ex-ministro parece estar a colocar-se ao lado de uma eventual candidatura de Luís Montenegro, actual líder parlamentar do PSD, à liderança do partido, caso Passos não se recandidate.

“O Dr. Luís Montenegro é incontestavelmente um dos rostos do futuro do PSD“, disse Relvas durante um almoço do International Club of Portugal em que o líder parlamentar social-democrata foi orador convidado, no passado dia 20 de Abril.

Passos diz que “ainda há muita austeridade disfarçada”

Entretanto, Passos Coelho continua a lançar farpas ao Governo, considerando que a alternativa que este reivindica é falsa e que “ainda há muita austeridade disfarçada”, mesmo sem “a pressão da troika e dos mercados”.

Num artigo publicado na newsletter do PSD, intitulado “A Falsa Alternativa”, Passos Coelho garante que “se a estratégia defendida pelo Governo anterior tivesse prosseguido, a recuperação económica e do emprego seria sensivelmente mais forte, porque mais forte seria também a recuperação do investimento”.

O presidente do PSD contesta também os números do executivo de António Costa relativamente ao emprego, indicando que “a população empregada cresceu cerca de 176 mil entre 2014 e 2016, mas destes quase 120 mil referem-se a 2014 e 2015”.

“O mesmo com o desemprego: a população desempregada reduziu-se em cerca de 282 mil no mesmo período, mas só entre 2014 e 2015 reduziu-se quase em 209 mil”, salienta.

Para Passos Coelho, “os socialistas trouxeram, assim, um ano em que, em vez de acelerar a recuperação económica, atrasaram-na”.

“E, em vez de colherem bons frutos pela estratégia que seguiram, beneficiam sobretudo da herança económica que receberam do Governo anterior”, conclui.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]