Mário Cruz / Lusa

O deputado do Chega, André Ventura

André Ventura, deputado único do Chega, disse esta quarta-feira, numa intervenção sobre a regionalização em debate no plenário, “estar-se nas tintas” para o que diga a Constituição.

“Que bom exemplo para os portugueses: criar mais regiões para mais impostos ainda e mais custos. Nós não temos ambiguidades, honestamente, estou-me nas tintas para o que diga a constituição, nós queremos mandar a regionalização para o lixo da história que é onde sempre devia ter estado”, disse o deputado André Ventura, criando a contestação no hemiciclo, sobretudo, nas bancadas da esquerda.

O deputado do Bloco de Esquerda, João Vasconcelos, não deixou passar estas declarações e fez questão de lembrar ao deputado do Chega de que ele só está na Assembleia da República porque a Constituição existe. “Se calhar estará nas tintas para o que é a democracia e para o que foi o 25 de Abril. Está aqui sentado por dever à Constituição da República, ao 25 de Abril e à democracia”, notou, de acordo com a TSF.

Mais tarde, a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes classificou a declaração de André Ventura como “intolerável”. “Ouvir um deputado dizer que se está “a marimbar para a Constituição é um insulto intolerável! Deixa-me preocupada com a conceção que tem do lugar para o qual foi eleito! Sobretudo o desrespeito que tem pela Democracia que tanto custou a conquistar! André Ventura esteve muito mal!”, escreveu a deputada socialista no Twitter

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A regionalização está em debate com dois projetos de resolução de PCP e Bloco de Esquerda e que pretendem estabelecer um calendário e procedimentos para a criação das Regiões Administrativas.

O projeto de resolução do PCP defende um calendário que permita que, em 2021, esteja concluída a criação e instituição das regiões administrativas. Os comunistas pedem ainda que seja possível submeter à consulta das assembleias municipais a proposta de dois mapas de criação das regiões, até ao final do primeiro semestre de 2020, e que, até ao final do ano, as assembleias municipais se pronunciem.

Já o Bloco de Esquerda recomenda o início de um debate público para instituir regiões no país até ao final de 2020 e defende a aprovação do enquadramento legal para a criação dessas regiões administrativas no primeiro semestre de 2021, com consulta pública e calendário para a sua implementação.

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