Alejandro Garcia / EPA

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa parecem estar de acordo: Portugal não pode voltar a parar. Um especialista consultado pelo semanário Expresso defende que “parece que estamos a celebrar o modelo sueco”.

António Costa admitiu, na sexta-feira, que Portugal pode chegar, esta semana, aos mil casos diários de infeção pelo novo coronavírus, mas rejeitou voltar a parar o país. Horas mais tarde, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apontou na mesma direção: “a pandemia está longe do fim, mas a economia não pode parar”, sublinhou.

Ambos os responsáveis políticos frisaram a responsabilidade individual dos cidadãos na luta contra a covid-19. Em declarações ao Expresso, o imunologista Henrique Veiga Fernandes considerou que “este ênfase é inevitável” e está em linha com o discurso de outros líderes europeus.

Já Nuno Dias, sociólogo, mostrou-se “surpreendido” com o “tom de ameaça“: tanto o primeiro-ministro como o Presidente responsabilizam os cidadãos “quando, na verdade, não temos provas de que o aumento de casos nas últimas semanas seja uma consequência de uma maior irresponsabilidade”.

O aumento de novos casos de infeção tem-se verificado um pouco por toda a Europa, mas há uma exceção: a Suécia. Neste país nórdico, “o que se verifica é que, apesar de não estar a aumentar o número de casos diários, os suecos já têm um número bastante elevado” de infeções.

Ao contrário da generalidade dos outros países, a estratégia da Suécia não passou pela aplicação de medidas de confinamento.

No caso particular de Portugal, “não podemos fechar o país”, mas, por outro lado, “há esta ideia de inevitabilidade de novos casos”. “Em simultâneo, parece que estamos a celebrar o modelo sueco“, explicou Nuno Dias ao Expresso.

“Estamos mais ou menos convencidos de que o modelo sueco poderá ter um conjunto de opções mais interessantes no longo prazo. Mas a verdade é que o longo prazo ainda não aconteceu. Há um inverno para chegar e a aceleração dos contactos inevitáveis nos transportes públicos, nos locais de trabalho e nas escolas, o que é imprevisível”, disse.

No mesmo sentido, e apesar de subscrever a ideia de que cada cidadão deve ser “um agente de saúde pública”, Henrique Veiga Fernandes sublinhou que não está “a fazer a apologia da estratégia sueca”.

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