Na primeira noite de recolher obrigatório em Madrid, foram muitos os que ignoraram as restrições. A polícia espanhola foi obrigada a intervir em centenas de festas ilegais e numa festa ao ar livre com mais de 300 pessoas.

Com o novo recolher obrigatório em Madrid, as reuniões no interior de residências e em locais públicos estão proibidas da meia-noite às 6h da manhã. Porém, foram muitos os espanhóis que ignoraram estas regras.

De acordo com o jornal espanhol ABC, durante o fim de semana, a Polícia Municipal interveio em 300 festas ilegais e numa festa ao ar livre cheia de álcool com 300 pessoas.

Aqui em Malasaña não havia polícia, agora viemos menos por causa disso. [A polícia] vem-nos chatear, porque nós somos os irresponsáveis, os imaturos, os infantis”, disseram alguns adolescentes de 17 anos ao jornal, apontando que, no interior dos bares, havia ajuntamentos de pessoas de 30 anos que não respeitavam o distanciamento social.

De acordo com as autoridades, naquela noite, a polícia já tinha ido a 30 festas ilegais e testemunhara filas nas lojas de conveniência  e nos postos de gasolina para comprar álcool.

Além disso, a polícia atuou em cerca de 300 festas ilegais, em casas e em locais que ignoravam o horário de fecho. O número de pessoas era superior ao permitido e não havia máscaras ou medidas de segurança.

No domingo, o Governo de Espanha aprovou o estado de emergência sanitária que permitirá a instauração do recolher obrigatório em todo o país para travar a propagação da covid-19. O estado de alerta – nome exato deste regime de exceção que corresponde a um estado de emergência sanitária – durará até abril, ou seja, durante seis meses.

Itália encerra teatros e cinemas e fecha restaurantes às 18h

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, assinou este domingo um decreto que impõe o encerramento de piscinas, ginásios, teatros e cinemas a partir de segunda-feira, numa tentativa de conter os contágios que dispararam no país.

A medida anunciada este domingo determina ainda o encerramento às 18h dos bares e restaurantes.

Após horas de negociação com as regiões italianas que pretendiam ajudas para os proprietários de bares e restaurantes, foi assinado esse novo decreto em vigor entre segunda-feira e o dia 24 de novembro.

O endurecimento das medidas surge depois do aumento exponencial de casos, tendo o país registado no sábado mais 19.644 casos e 151 mortes devido à covid-19. A Itália segue com grande preocupação o aumento de pacientes internados, que já são 12.415 em todo o país, mais 817 em relação a sexta-feira.

Relativamente aos cuidados intensivos, os dados das autoridades de saúde italianas dão conta que estão nestas unidades 1.128 pessoas, mais 79 pessoas em relação a sexta-feira.

O novo decreto lembra a obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os momentos e é recomendável evitar receber visitas.

Embora tenha sido evitado o recolher obrigatório a nível nacional, que já existe em regiões como o Lácio, cuja capital é Roma, Campânia, Sicília, Calábria e Lombardia, as regiões têm o poder de encerrar as áreas onde se registem aglomerações a partir das 21 horas.

Restaurantes, bares, pubs, geladarias e confeitarias podem funcionar apenas das 5h às 18h, mas podem abrir aos domingos e feriados.

São permitidas apenas quatro pessoas por mesa, desde que não sejam do mesmo núcleo familiar.

Ginásios, piscinas e spas, bem como centros culturais, centros sociais, centros recreativos, salas de bingo, casinos e parques de diversões também devem ser fechados, enquanto os parques e parques infantis permanecerão abertos.

Teatros, cinemas e salas de concertos também estão encerrados, bem como os ao ar livre, sendo proibida toda a forma de organização de eventos e conferências presenciais.

A abertura das estações de esqui não será permitida, principalmente após as imagens deste sábado com longas filas e pessoas lotadas nos teleféricos.

O Governo não decretou a proibição da deslocação entre regiões, mas “recomenda veementemente a todas as pessoas que não se desloquem, por meio de transporte público ou privado, a um município que não seja o de residência, exceto para necessidades comprovadas de trabalhar ou estudar, por motivos de saúde”.

Também introduz novas medidas para aplicar a educação à distância a pelo menos 75% dos alunos dos cursos de segundo grau do ensino médio, ou seja, maiores de 14 anos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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