Numa altura em que os especialistas alertam que a região do norte pode atingir os 7.000 casos diários na próxima semana, são muitos os autarcas que se antecipam e começam a planear medidas mais restritas nos seus concelhos. Matosinhos é um dos casos quer adotar regras mais drásticas.
A região Norte poderá atingir 7000 novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 na próxima semana, alertaram esta terça-feira especialistas, afirmando existirem “vários concelhos” num “patamar semelhante” aos três do Tâmega e Sousa onde foram impostas medidas mais restritas.
Em declarações à agência Lusa, Milton Severo, responsável pelas projeções do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), afirmou hoje que, a manterem-se as previsões, a região Norte para além de “chegar aos 7000 novos casos” de infeção, vai atingir um índice de transmissibilidade de 1,6.
Perante estas previsões nada animadoras, os autarcas de muitos concelhos do norte já estão a planear medidas mais apertadas e fazem pressão para que António Costa tome uma decisão o mais rápido possível na região.
Marco Martins, presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil do Porto, garantiu ao JN que vai pedir ao primeiro-ministro que decrete o recolher obrigatório no distrito do Porto.
O secretário de Estado Eduardo Pinheiro, também responsável pela coordenação da situação de calamidade na Região Norte, admite a possibilidade de mais regras para “reduzir a taxa crescente dos casos”. “Acredito que vai haver mais medidas restritivas tendo em conta o volume de novos casos. Vão certamente acontecer, agora os termos teremos que aguardar. Não podemos pôr em causa a saúde pública”, assume ao JN.
Depois do número de casos se mostrar preocupante no concelho de Matosinhos, a autarquia aprovou ontem o fecho dos centros comerciais a partir das 21 horas – medida que afetará centros como o Norte Shopping e Mar Shopping. Contudo, e de acordo com o Expresso, a Câmara não se dá por satisfeita e quer medidas para todos os concelhos da Área Metropolitana mais afetados pela pandemia.
Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, propõe a proibição de circulação entre concelhos limítrofes, à semelhança da medida aplicada aos municípios de Lousada, Paços de Ferreira e Felgueiras, pois acredita que “muitas das medidas mitigadoras de contágio só fazem sentido ao nível supra-municipal
“.Em reunião, a Comissão Municipal da Proteção Civil recomendou ainda a implementação de ensino à distância para o 3º ciclo, Ensino Secundário, Profissional e Universitário.
O dever de permanência no domicílio, exceto circulações autorizadas, será outra das propostas, assim como a partilha da localização georeferenciada das pessoas infetadas e/ou quarentena, bem como locais onde tenham sido detetados surtos, com os serviços da Proteção Civil. A CMPC quer também um dispositivo de reforço da capacidade operacional dos corpos de bombeiros para resposta à covid-19.
Em Ovar, umas das cidades mais afetadas de Portugal na primeira fase de covid-19, a Câmara Municipal já reativou esta terça-feira o seu Gabinete de Crise e o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil devido ao aumento local de casos de infeção pelo novo coronavírus, diz o DN.
Depois da experiência que teve em meses críticos como março e abril, Salvador Malheiro, autarca de Ovar, revela que na cidade já se planeia, caso a situação se complique, “dotar infraestruturas municipais para receber infetados que não tenham condições de recuperar nas suas casas, para encerrar infraestruturas municipais que prestam serviço público, designadamente cemitérios, parques ambientais, casas de espetáculos. Estarmos prontos, caso seja necessário”, sublinha.
O presidente da Câmara de Ovar deixa a crítica ao executivo de António Costa e defende que “o país se calhar estava melhor” se tivessem sido feitas cercas sanitárias em bairros ou ruas quando a situação de contaminação comunitária se começou a agravar.
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Quantos desses casos são assintomáticos? Convinha saber pk quanto mais testes se faz mais assintomáticos se apanha.