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O ex-Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva

Cavaco Silva assume, na sua primeira entrevista depois da saída da Presidência da República, que “a realidade” da “geringonça” o “ultrapassou”, quando o PS formou Governo com o apoio parlamentar de BE e PCP.

Em entrevista à RTP, na primeira grande conversa com a comunicação social desde que deixou a Presidência, Cavaco Silva abordou alguns dos pontos mais polémicos do livro de memórias “Quinta-feira e outros dias”, que lançou na semana passada.

José Sócrates é figura central da obra, com Cavaco a tecer várias críticas ao ex-primeiro-ministro, que já veio falar de um “ajuste de contas”.

Na RTP, Cavaco garantiu que não precisa de “ajustar contas com ninguém” e justifica que as reuniões que manteve com Sócrates “constituem a parte substancial da magistratura de influência do Presidente da República” e que, portanto, tinha que as mencionar no seu livro de memórias sobre os dois mandatos que passou em Belém.

Sem nunca mencionar o nome de Sócrates, referindo-se sempre ao ex-governante como “o primeiro-ministro do XVIII Governo Constitucional”, Cavaco aproveita para lhe lançar mais algumas “farpas”.

Mais farpas a Sócrates

O ex-Presidente acusa Sócrates de “deslealdade”, notando que não se lembra de que foi ele que evitou “uma grave crise política”, com contactos com o PSD, antes da aprovação do Orçamento de Estado de 2011.

Cavaco comentou ainda o caso das escutas a Belém, em que Sócrates veio acusá-lo de ser “a mão por detrás dos arbustos” que lançou o rumor para a comunicação social com o objectivo de derrubar o seu governo. O ex-Presidente da República nota que não desmentiu a notícia porque a considerou “uma historieta de Verão para atrair leitores, absurda e sem o mínimo fundamento”.

Além disso, diz que estava de “férias com um jipe cheio de diplomas para analisar” e que não quis “alimentar notícias que pretendem criar factos políticos”.

Cavaco admitiu ainda ter ficado “totalmente surpreendido” com a detenção de Sócrates, em 2014, e com o seu envolvimento no processo Operação Marquês, garantindo que nas reuniões que mantiveram nunca se apercebeu de “qualquer actuação legalmente menos correcta”.

Mas o ex-chefe de Estado escusou-se a comentar o caso judicial porque diz que não tem acompanhado a matéria, “a não ser pelos títulos demasiado grandes que aparecem em alguma comunicação social”.

Análise à “geringonça” em próximo livro

Quanto ao actual governo de António Costa, Cavaco Silva recusa-se a tecer comentários e diz apenas que tem uma opinião “muito recatada” sobre a solução política de parceria entre PS, Bloco e PCP. Análises a esta governação só num próximo livro que promete lançar nos meses que aí vêm.

Cavaco foi ainda questionado sobre os seus baixos níveis de popularidade, nomeadamente quando terminou o seu último mandato, e notou que “sondagens, ruídos mediáticos, trepidações políticas e espuma dos dias nunca influenciaram” as suas decisões.

“Quatro maiorias absolutas são suficientes para preencher o meu ego”, acrescentou Cavaco, com a garantia de que pretende viver “uma vida fora dos holofotes” e assegurando que “política nunca mais”.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]