António Pedro Santos / Lusa
A TVI avançou este domingo que o juiz desembargador Rui Rangel terá recebido mais de um milhão de euros entre 2005 e 2017 para favorecer arguidos e alterar decisões em tribunal.
De acordo com a TVI, a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) acreditam que o juiz desembargador Rui Rangel, o principal arguido da Operação Lex, recebeu mais de um milhão de euros, entre 2005 e 2017, como pagamento para favorecer arguidos e alterar decisões em tribunal.
Segundo o despacho da acusação do MP, que deverá ter mais de 900 páginas, Rui Rangel terá utilizado o advogado e amigo de longa data, José Santos Martins, para esconder o rasto do dinheiro.
A TVI adianta que o dinheiro terá passado pelo jurista e terá sido entregue a Rui Rangel, Fátima Galante (ex-mulher, juíza e também arguida no processo), Rita Figueira (namorada de Rui Rangel), o pai desta e ainda uma outra namorada, Bruna Amaral
.A Operação Lex, tornada pública em janeiro de 2018 e que continua em investigação, tem como arguidos o desembargador Rui Rangel, a sua ex-mulher e juíza Fátima Galante e o funcionário judicial Octávio Correia, todos do Tribunal da Relação de Lisboa, o advogado Santos Martins e o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, entre outros.
Rangel é suspeito receber avultadas quantias através de favorecimentos e de várias ligações a empresários e figuras do desporto, como o Benfica e o seu presidente, Luís Filipe Vieira, que resultaram na indiciação por corrupção/recebimento indevido de vantagens, de branqueamento de capitais e fraude fiscal.
Rangel é suspeito de crimes de tráfico de influência por alegadamente ter prometido influenciar resultado de processos a troco de contrapartidas financeiras e alegadamente o presidente do Benfica ter-lhe-á prometido um futuro cargo na universidade do clube.
Em dezembro do ano passado, Rui Rangel foi demitido da magistratura pelo CSM devido ao seu envolvimento no processo. A juíza Fátima Galante, sua ex-mulher, foi sancionada com aposentação compulsiva.
A Operação Lex foi desencadeada há mais de dois anos, mas ainda não foi conhecida a acusação.
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Então, além da moldura penal legislada, deveria ter uma outra de devolução do ilícito obtido.