Kevin Dietsch / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Donald Trump quer saber quem eu as informações ao denunciante que alertou para o telefonema com Vladimir Zelensky. O Presidente norte-americano ameaça retaliar contra os informadores.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quinta-feira que quer saber quem deu informações ao denunciante que alertou para o telefonema com o Presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, dizendo que devem ser tratados como espiões.

Trump considera que os funcionários que deram informações ao denunciante sobre o telefonema com Zelensky são “quase espiões“, lembrando que “nos bons velhos tempos” os espiões eram tratados de outra forma. A declaração do Presidente dos Estados Unidos deu a entender que retaliará contra quem ajudou a provocar a polémica que provocou um inquérito para a sua destituição, no Congresso.

Trump falava a funcionários da Missão dos EUA nas Nações Unidas, no dia seguinte a saber que o caso do telefonema com Zelensky levara a líder Democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, a declarar o inquérito para impeachment, mostrando-se disposto a agir contra os colaboradores do denunciante.

O denunciante, que trabalha para os serviços secretos norte-americanos (CIA), escreveu no relatório que foi divulgado pelo Congresso que as suas fontes eram funcionários da Casa Branca, que lhe relataram os pormenores do telefonema em que Trump pedia a Zelensky para investigar as “atividades suspeitas” junto de uma empresa ucraniana do filho de Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama e candidato Democrata às eleições presidenciais de 2020.

Quero saber quem foi que deu a informação ao denunciante, porque são quase espiões”, afirmou Trump. “Sabem o que se costumava fazer aos espiões nos bons velhos tempos, não sabem? Era diferente do que se faz agora”, concluiu o Presidente norte-americano em tom ameaçador.

Esta sexta-feira, Nancy Pelosi exprimiu a sua preocupação pelos comentários de Trump, dizendo que sugerem retaliações contra pessoas que ajudaram o denunciante a formular uma queixa grave contra o Presidente dos Estados Unidos.

A líder Democrata da Câmara dos Representantes disse que as comissões do Congresso tudo farão para tentar proteger o denunciante e as suas fontes contra qualquer tentativa de retaliação por parte de Donald Trump.

“Estou muito preocupada com as afirmações do Presidente, que sugerem retaliações a quem cumpriu o seu dever”, afirmou Pelosi, durante um programa radiofónico, onde falou sobre o inquérito para a destituição de Donald Trump. “Temos de nos focar no facto de o Presidente dos Estados Unidos ter usado dólares dos contribuintes para pressionar o líder de outro país para seu benefício político”, explicou Pelosi.

“Ele não nos deixa outra opção”, disse a congressista, referindo que “o que o Presidente fez é claro” e sublinhando que Trump pôs em risco a segurança nacional.

Os Democratas consideram que Donald Trump usou o seu cargo presidencial para pressionar Zelensky a prejudicar um adversário político, dizendo que isso se enquadra na tipologia de “crimes e delitos graves” que podem levar a um processo de destituição.

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