“Homem sentado apoiado numa bengala”, de Amedeo Modigliani

O mediático caso dos Panama Papers pode ajudar a devolver um quadro do pintor italiano Amedeo Modigliani à família do dono a quem foi roubado, durante a 2ª Guerra Mundial, pelo regime nazi.

A Justiça suíça apreendeu a obra de Modigliani, avaliada em mais de 21 milhões de euros, numa decisão relacionada com a disputa quanto à sua propriedade.

O quadro “Homem sentado apoiado numa bengala”, pintado por Amedeo Modigliani, terá sido roubado a Oscar Stettiner, um coleccionador de arte judeu, durante a 2ª Guerra Mundial, por elementos do regime nazi.

Em 1996, foi adquirido, num leilão em Londres, pela companhia offshore IAC – International Art Center, que foi criada pelo escritório de advogados panamenho Mossack Fonsseca.

Os Panama Papers revelam que esta empresa pertencerá a David Nahmad, também coleccionador de arte judeu que tem uma colecção de quase cinco mil peças, incluindo 300 quadros de Picasso, armazenadas nos portos francos de Genebra – os portos francos são zonas isentas de impostos.

A família Nahmad tem alegado que o quadro de Modigliani não é da sua propriedade, mas da IAC. Argumento que usou em tribunal no processo que o agricultor francês Philippe Maestracci, neto de Oscar Stettiner, moveu, em 2011, com o intuito de recuperar a obra.

O documentos do Panamá vêm contrariar esta versão, tendo levado as autoridades suíças a apreender a obra e a abrir uma investigação.

Entretanto, David Nahmad veio dizer, conforme cita a BBC, que “não podia dormir à noite se soubesse que possuía um objecto roubado” pelos nazis.

Já o seu advogado, Richard Golub, sublinha que o mais importante é saber se o neto de Oscar Stettiner pode provar a propriedade do quadro.

SV, ZAP