Juan Carlos Cardenas / EPA
Mariano Rajoy, primeiro-ministro e líder do Partido Popular espanhol
O presidente do Governo catalão insistiu esta quinta-feira que “a suspensão da declaração de independência continua em vigor”, mas ameaça votar formalmente essa independência no parlamento regional se Madrid avançar com a suspensão da autonomia regional.
Numa carta em que responde ao Governo espanhol, Carles Puigdemont assegura que, “se o Governo do Estado espanhol persiste em impedir o diálogo e continuar a repressão“, o parlamento regional “poderá proceder à votação da declaração formal de independência que não votou no dia 10” de outubro.
O governo espanhol tinha dado, na segunda-feira, uma “última oportunidade“, até as 10:00 (09:00 de Lisboa) desta quinta-feira, ao executivo catalão antes de ativar o artigo 155º da Constituição espanhola e “repor a legalidade” na comunidade autónoma da Catalunha.
O líder da Generalitat escreve na carta enviada ao Governo que propôs a realização de uma reunião, mas não teve qualquer resposta e lembrou que “o povo da Catalunha, no dia do referendo, decidiu a independência com uma percentagem superior à que permitiu que o Reino Unido iniciasse o processo do Brexit”, segundo o DN.
Na carta, Puigdemont esclarece que – e lembrando que o parlamento está pronto para o fazer – o governo regional da Catalunha não declarou a independência no dia 10.
“A 10 de outubro, o Parlamento celebrou uma sessão com o objetivo de analisar o resultado do referendo e seus efeitos e onde propus deixar em suspenso os efeitos daquele mandato popular. Fi-lo para propiciar o pedido de diálogo que de maneira reiterada nos fizeram chegar, a si e a mim, instituições e dirigentes políticos e sociais de toda a Europa e do resto do mundo. Neste sentido, na minha carta de segunda-feira, propus-lhe celebrar uma reunião que ainda não se realizou
“, escreveu Puigdemont.A ameaça da Catalunha declarar independência surge após o primeiro ministro espanhol ter mostrado intenção de retirar autonomia à região. Rajoy não demorou a responder a Puigdemont, que enviou a carta a poucos minutos do fim do prazo estabelecido pelo Executivo espanhol, e disse que o “Governo espanhol vai continuar os trâmites previstos no artigo 155º da Constituição para restaurar a legalidade“.
O presidente espanhol já convocou para sábado uma reunião extraordinária do conselho de ministros. “No próximo sábado, o conselho de ministros, reunido de forma extraordinária, aprovará as medidas que levará ao senado a fim de proteger o interesse geral dos espanhóis, entre eles os cidadãos da Catalunha, e restaurar a ordem constitucional na Comunidade Autónoma”, lê-se no comunicado do Governo espanhol.
A acontecer, a aplicação do artigo 155º, que suspende a autonomia catalã, será inédita em 40 anos de democracia em Espanha.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]
Pior que Rajoy só Hitler!