José Sena Goulão / Lusa

A ex-ministra da justiça Paula Teixeira da Cruz foi intimada por um agente da PSP a ir à esquadra depois desta ter pedido a sua identificação. “O senhor agente preferiu usar um tom desagradável comigo.”

Esta terça-feira, Paula Teixeira da Cruz encontrava-se a acolher um convidado da assembleia com dificuldades de mobilidade quando o agente da PSP presente no Parlamento terá contrariado o auxílio referido e a ex-ministra ter-lhe-á pedido a identificação.

Segundo o Jornal i, o agente da PSP terá convidado Teixeira da Cruz a acompanhá-lo à esquadra local da PSP, como resposta ao sucedido, um cenário que a deputada estranhou e mais tarde denunciaria. “Havia maneiras civilizadas de resolver a situação“, denuncia Paula Teixeira da Cruz à revista Sábado.

A ex-ministra conta que tinha acabado de chegar à Assembleia para a reunião da Comissão dos Negócios Estrangeiros quando “vejo que se estava a passar algo de errado entre uma pessoa, que fora operada há pouco tempo e que estava com a locomoção muito reduzida, e o senhor agente com quem ela estava a falar”.

A deputada diz ter cumprimentado a pessoa em causa e, de seguida, tentou perceber o que se estava a passar. “Ao que parece, aquela pessoa convidada pela Assembleia para fazer uma exposição colocou o carro num lugar onde não podia“, explicou.

No entanto, as pessoas convidadas pela Assembleia têm um sítio reservado para estacionar “e esta não estava a encontrá-lo”, diz a ex-ministra da Justiça. “Ora, ao ver o que se passava, tentei falar com o senhor agente: apesar de não poder ter o carro estacionado ali, ela não estava a incomodar ninguém”, considerou.

Mas o momento de tensão aconteceu de seguida, quando, nas palavras de Teixeira da Cruz, “o senhor agente preferiu usar um tom desagradável, comigo e com uma colega minha”.

O agente da PSP pediu à deputada para lhe mostrar a identificação, e Paula Teixeira da Cruz pediu para o agente mostrar a dele. Contudo, o PSP “recusou-se a fazê-lo”, acabando por lhe virar as costas.

Depois da reação do Polícia, Teixeira da Cruz exigiu falar com o seu superior, ao que o agente respondeu: “acompanhe-me até à esquadra”. “Recusei-me, claro. O convidado à Assembleia de locomoção reduzida acabou por entrar comigo e com a minha colega”, disse à Sábado.

De acordo com o jornal i, esta situação motivará a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros a escrever uma carta a Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, expondo o que aconteceu e queixando-se do comportamento do agente da PSP para com a ex-ministra.

Esta iniciativa da comissão parlamentar reuniu o apoio unânime numa reunião decorrida ontem á tarde. A deputada do PSD relatou o sucedido e Sérgio Sousa Pinto, presidente da comissão, manifestou solidariedade e iniciativa imediata.

O parlamentar do PS mostrou o seu desagrado e lamentou ainda que não se trata da “primeira vez” que tal acontece, anunciando que a comissão vai endereçar uma carta a Ferro Rodrigues pedindo medidas de reparação e retificação.

“Pedagogia e disciplina, já que a pedagogia nem sempre é suficiente. Quando acontece com uma deputada, acontece a todos nós”, concluiu.

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