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O deputado do PSD Ricardo Baptista Leite

O PSD pediu a apreciação parlamentar do decreto-lei que regulamenta a criação de parcerias público-privadas (PPP) na Saúde. O maior partido da oposição junta-se assim ao Bloco de Esquerda e PCP, embora com motivos diferentes.

Os sociais-democratas pediram a apreciação parlamentar do decreto-lei das PPP na Saúde por considerarem que o novo regime introduz na “ratio dos contratos” elementos que levariam à desvalorização de critérios de “racionalidade” e “eficiência administrativa”.

Apesar de considerar “positiva” a possibilidade consagrada na Lei de bases da Saúde de celebração de contratos de parceria de gestão na área da saúde, o novo regime, regulamentado no decreto-lei 23/2020, “altera a ratio dos referidos contratos, neles introduzindo elementos novos, de pendor mais ideológico, de cuja aplicação sempre resultaria uma desvalorização de critérios de racionalidade e eficiência administrativas”.

Esta alteração “não pode deixar de merecer a frontal oposição do PSD”.

Segundo o Público, o diploma prevê a realização de um estudo que tenha em conta “as necessidades dos utentes na respetiva área geográfica”, a “oferta existente na área e a possibilidade de celebração de contratos de convenção que permitam suprir as necessidades”.

O PSD defende que a gestão das instituições do SNS “deve ser primordialmente pública”, mas que “o recurso aos setores privado e social deve verificar-se, não só quando tal se revele necessário, atenta a capacidade instalada dos serviços públicos, como vantajoso, em termos de relação qualidade-custos”.

Aliás, “mais importante ainda, quando tal cooperação possa conduzir à obtenção de ganhos em saúde para os utentes do SNS, principalmente os mais fragilizados e vulneráveis”, adianta o texto da apreciação parlamentar subscrita por vários deputados da comissão de Saúde e de Economia, citado pelo diário.

Já os partidos de esquerda consideram que o decreto-lei não respeita o que ficou escrito na Lei de Bases da Saúde, aprovada em setembro do ano passado: o PCP considera que “o Governo faz uma interpretação abusiva da Base 6 da Lei de Bases da Saúde para sustentar a sua opção política de manutenção das PPP” e o Bloco considera que os termos do decreto-lei permitem que as PPP possam continuar a ser celebradas.

“Este diploma representa a insistência num modelo que ao longo dos anos trouxe inúmeros problemas para os utentes, desde transferências para hospitais a dezenas de quilómetros por razões financeiras à recusa de cuidados de saúde por ter sido atingido o número de actos contratualizados com o Estado, passando ainda pelo falseamento de fichas clínicas e conflitos consecutivos para a dispensa em farmácia hospitalar de fármacos para o VIH ou esclerose múltipla”, lê-se no pedido de apreciação parlamentar da bancada bloquista.

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