José Sena Goulão / Lusa
Vitalino Canas, ex-deputado e ex-porta-voz nacional do PS no Governo de Sócrates
A escolha de Vitalino Canas, ex-deputado e ex-porta-voz do Governo de José Sócrates, por parte do PS para integrar o Tribunal Constitucional está a gerar uma onda de críticas. Do Bloco de Esquerda ao PSD, passando por elementos do próprio PS que lamentam que Canas representa a “tralha socrática”.
Manuel Alegre e Ana Gomes são dos poucos socialistas que reconhecem publicamente o desagrado com a escolha de Vitalino Canas para o Tribunal Constitucional (TC). O PS escolheu o ex-deputado e o juiz Clemente Lima para sucederem a Cláudio Monteiro e a Clara Sottomayor no TC, gerando uma onda de indignação que vai da esquerda à direita, passando pelo próprio seio socialista.
A Sábado apurou que no seio socialista se considera que Vitalino Canas, que foi porta-voz nacional do PS quando Sócrates esteve no Governo, além de desempenhar vários cargos políticos, faz parte do que chamam de “tralha socrática”.
A proximidade do ex-deputado a Sócrates gera desconforto e a ex-ministra da Justiça do Governo PSD/CDS, Paula Teixeira da Cruz, repara que “o mais certo é que a Operação Marquês [na qual José Sócrates é arguido] vá parar ao TC”, o que levantará dúvidas quando um homem que é considerado “um fiel amigo” do antigo primeiro-ministro for chamado a pronunciar-se.
“É mais uma tentativa do PS de capturar a máquina da Justiça“, acusa Teixeira da Cruz, lamentando o que define como “uma politização extrema do TC”, conforme declarações à Sábado.
Ana Gomes e Manuel Alegre não falam de Sócrates, mas manifestam também o seu desagrado com a escolha, preferindo realçar a proximidade de Canas ao mundo dos negócios.
“Com todo o respeito pela pessoa, acho que não é uma boa escolha“, salienta Manuel Alegre à Sábado, realçando que não tem “um perfil adequado” porque tem estado, sobretudo, “mais ligado à actividade política e empresarial“.
“Vitalino Canas está muito conotado com o mundo dos negócios. Não me parece que seja o caminho mais acertado para a transparência e para a limitação da promiscuidade entre as instituições e os negócios, sobretudo numa instituição como o TC”, acrescenta Alegre, defendendo uma escolha com “um perfil mais incontestável”.
Ana Gomes entende também, em declarações à mesma revista, que Canas “não tem perfil” e manifesta igualmente a sua preocupação com a “ligação ao mundo dos negócios”.
“É muito estranho que a proposta para o TC implique uma redução do número de mulheres”, diz ainda Ana Gomes.
Já Alegre lamenta que o PS não tenha negociado as escolhas com os parceiros de esquerda, considerando que “não são boas notícias para a dignidade das instituições nem para a estabilidade”.
O Bloco de Esquerda já veio criticar as escolhas do PS para o TC, referindo que Canas, em concreto, “será a voz da precariedade no TC“. O deputado bloquista Pedro Filipe Soares lembrou que Canas foi nomeado pela Associação das Empresas de Trabalho Temporário (ETT) como o Provedor da Ética Empresarial e do Trabalhador Temporário, frisando que é “conhecido por acompanhar o sector de actividade que mais precariedade tem no nosso país e de ser o garante dessa precariedade por voz dos seus patrões”.
Entretanto, pelas redes sociais corre uma fotografia em que Vitalino Canas surge ao lado de José Sócrates, num jantar entre amigos, a par de outras figuras ligadas ao PS. A imagem foi divulgada pela TVI em Setembro de 2015, com a indicação de que Sócrates tinha assistido ao debate televisivo entre António Costa e Passos Coelho, na campanha eleitoral para as legislativas desse ano, na companhia de “familiares e amigos socialistas”.
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