Pedro Nunes / Lusa

Ana Gomes, euro-deputada do Partido Socialista, está sem palavras

O diretor de campanha do PS considerou hoje que os socialistas não atingiram os seus objetivos eleitorais, mas adiantou que não há qualquer força com maioria parlamentar e que a coligação PSD/CDS “perdeu a maioria que tinha”.

Estas posições foram assumidas por Duarte Cordeiro, numa primeira reação às projeções eleitorais, que dão a vitória à coligação PSD/CDS.

Numa declaração sem direito a perguntas, o vereador da Câmara de Lisboa referiu que, nestas eleições legislativas, “o PS não atingiu os seus objetivos“, mas adiantou que, “a confirmarem-se os resultados [das projeções], não há maioria parlamentar para nenhuma das candidaturas nestas eleições”.

“A coligação PSD/CDS perdeu a maioria que tinha, ficando agora em minoria. Vamos serenamente aguardar os resultados ao longo da noite. O PS continua e continuará a ser o grande referencial da democracia portuguesa”, acrescentou.

Ana Gomes “sem palavras”

Na sua primeira reacção às projecções, a euro-deputada socialista Ana Gomes admitiu em declarações à RTP que “neste momento estou em estado de choque”.

“Não sei qual é o resultado, vamos aguardar para ver”, disse a euro-deputada, “mas custa-me falar”.

“A última coisa que queria era concluir que, menos do que uma vitória da coligação, isto é uma derrota do PS”, concluiu Ana Gomes.

Para o socialista Álvaro Beleza, o partido tem de “refletir bastante” após as eleições deste domingo, acrescentando que o debate que se deve seguir deve centrar-se no “confronto de ideias e não de pessoas”.

“O debate e a reflexão que existir a seguir tem de ser primeiro um confronto de ideias e não de pessoas. Isto não pode ser um partido de vaidades, egoísmos e interesses pessoais”, vincou Beleza aos jornalistas no Hotel Altis, onde o PS se concentrou esta noite.

Helena Roseta diz que esquerda em Portugal “vai ter de se entender”

A candidata a deputada socialista Helena Roseta disse hoje que uma vitória da coligação PSD/CDS-PP nas legislativas deverá servir de alerta para a esquerda portuguesa se “entender”, e António Costa é o político capaz de fazer tais “pontes”.

“Há aqui um ciclo a terminar. A esquerda em Portugal vai ter de se entender, os novos partidos, os partidos velhos”, vincou Roseta, que falava aos jornalistas no Hotel Altis, em Lisboa, onde o PS acompanha a noite eleitoral.

O socialista Eurico Brilhante Dias, por seu turno,disse que o seu partido pediu confiança ao eleitorado e “aparentemente” não a teve, acrescentando que “todos os resultados eleitorais têm leitura política”.

As projeções das televisões apontavam, cerca das 20:00, para uma “derrota clara” do PS, reconheceu Eurico Brilhante Dias, que preferiu todavia guardar comentários mais aprofundados sobre a votação para quando os votos estiverem efetivamente contados.

O líder do PS “interrompeu um ciclo de sucesso eleitoral continuado”, disse o ex-dirigente socialista José Junqueiro.

Deve ser António Costa o primeiro a apresentar a interpretação dos resultados das legislativas”, conclui Junqueiro.

ZAP /Lusa