O PS advertiu que a privatização da TAP está ainda numa “fase intercalar” e que um Governo socialista fará reverter o processo para garantir que o Estado conservará a maioria do capital da transportadora aérea.

Em conferência de imprensa, esta quinta-feira, o coordenador da bancada socialista para a Economia, Rui Paulo Figueiredo, adiantou também que o PS chamará ao parlamento, com caráter de urgência, o ministro da Economia, Pires de Lima, para dar explicações detalhadas sobre o processo de privatização da TAP.

Estas posições foram assumidas pelo dirigente socialista após o Conselho de Ministros ter anunciado a decisão de vender a TAP ao consórcio Gateway, liderado pelo norte-americano e brasileiro David Neeleman, que está associado ao português Humberto Pedrosa (da Barraqueiro), rejeitando pela segunda vez a proposta de Germán Efromovich (dono da Avianca).

PCP condena venda por “bagatela” de maior exportador nacional

O deputado do PCP Bruno Dias criticou hoje a venda anunciada da TAP por uma “bagatela”, sublinhando tratar-se do “maior exportador nacional”.

“O Governo revela bem ao serviço de que interesses está quando anuncia a venda, por 10 milhões de euros, uma bagatela, do maior exportador nacional. É uma decisão criminosa, uma traição do interesse nacional”, afirmou o tribuno comunista nos passos perdidos do parlamento.

O Governo decidiu hoje vender o grupo TAP, dono da transportadora aérea nacional, ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano e brasileiro David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, rejeitando pela segunda vez a proposta de Germán Efromovich.

“É mentira, ao contrário do que alguns afirmam, de que não havia alternativa. Havia e há. O PCP apresentou propostas concretas para salvar a companhia de bandeira e a maioria PSD/CDS e, já agora o PS, não disseram uma palavra e fugiram ao debate para outra discussão genéricas”, lamentou.

Bruno Dias condenou ainda o facto de “os recursos aparecerem facilmente e num instante quando se trata de salvar bancos e banqueiros” e de ser “proibido mobilizar recursos para a defesa de um interesse estratégico como é a companhia aérea de bandeira”.

“Isto não é o fim da história, não podemos dar o caso por arrumado. O país e o povo português não podem dar-se ao luxo de atirar a toalha ao chão. Em relação à continuidade deste processo, que tem de ser cancelado e travado, até ao lavar dos cestos é vindima, como diz o povo”, assegurou.

 

/Lusa