José Sena Goulão / Lusa

O Partido Socialista deu início ao processo de expulsão de mais de 300 militantes que concorreram em listas adversárias nas últimas eleições autárquicas

A Comissão Política Nacional do PS tinha instaurado um processo disciplinar a 320 militantes que concorreram às eleições autárquicas de 1 de outubro deste ano como independentes, por considerarem que a situação não podia “passar em branco”.

Como resultado do processo disciplinar que tinha sido instaurado pela direção do partido, 300 militantes foram expulsos do PS, conta o Sol.

Na passada terça-feira a Comissão Nacional Política tinha aprovado uma proposta para que a Comissão Permanente do PS pudesse “proceder à audição de cada um dos visados para, depois, se tomarem as decisões que, entretanto, os órgãos de jurisdição do partido entenderem por bem”.

Na carta que tinha sido enviada aos militantes no início deste mês, era dado um prazo de 10 dias aos socialistas para que apresentassem “argumentos, factos e circunstâncias que possam contrariar a imputação ora feita, de grave, desleal e ofensiva violação dos seus deveres de militante socialista”.

O secretário nacional responsável pela organização do partido, Hugo Pires, explicou na altura que, reconhecendo que “as pessoas são livres” de fazer o que bem entenderem, “os militantes do PS têm direitos e deveres, que não foram cumpridos”, qualificando esta de “má prática que a direção não pode deixar passa em branco”.

Mas na reunião em que se decidiu pela expulsão dos militantes que concorreram por listas opositoras à do PS, Daniel Adrião, um dos poucos que contestou a decisão de expulsar os socialistas, colocou os holofotes na ausência de António Costa

. “É óbvio que não quis estar presente nesta reunião. Provavelmente não quis ficar associado a uma decisão que não é muito edificante”.

Daniel Adrião, ex-opositor de António Costa, garante ainda que a decisão está “ferida de nulidade”, porque os estatutos “não preveem a possibilidade de a Comissão Política delegar na Comissão Permanente este tipo de competências”. O socialista alertou ainda, na reunião, que “o PS não ganha nada com estas purgas“.

A decisão tomada na Comissão Política materializa-se assim no impedimento para os militantes de participar nas eleições para as concelhias que vão realizar-se em janeiro. Adrião acredita que a “urgência de suspender os militantes” justifica-se com “a necessidade de travar eventuais candidaturas desses militantes aos órgãos do partido”.

Os estatutos do PS preveem a expulsão dos militantes que decidam “integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do partido, inclusive, nos atos eleitorais em que o PS não se faça representar”.

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