Tiago Petinga / Lusa

O líder socialista António Costa reúne-se com Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda

O PS e o Bloco de Esquerda já chegaram a um entendimento com vista à formação de um governo de Esquerda. Agora, só falta que os socialistas alcancem um acordo com o PCP.

Diário Económico garante que António Costa e Catarina Martins já deram por encerradas as negociações, havendo acordo com vista à formação de uma aliança de Esquerda, sublinhando que as “medidas para áreas sectoriais ficam fora do acordo” entre PS e BE.

O jornal avança que o entendimento é exclusivamente sobre questões económicas e de rendimentos, deixando de fora compromissos sectoriais como ao nível da educação, da saúde ou da banca.

Deste acordo faz parte a certeza de que as pensões “vão ser todas descongeladas e as mais baixas terão mesmo um aumento real”, conforme disse Catarina Martins recentemente numa entrevista ao Diário de Notícias.

O Diário Económico acrescenta que o entendimento deve preconizar a eliminação da sobretaxa de IRS de forma faseada – 50% em 2016 e 50% em 2017, de acordo com o jornal – e a redução do IVA da restauração novamente para os 13%.

Fica também definido que os salários da Função Pública serão devolvidos na íntegra até 2016 (25% por trimestre) e que haverá um aumento gradual do salário mínimo nacional até aos 600 euros.

De fora do entendimento entre PS e BE fica a redução do IVA da electricidade para os 6%, garante o Económico.

Entretanto, nos próximos dias, os responsáveis de PS e PCP vão tentar alcançar também um acordo e pode esperar-se, desde já, que haja complicações no capítulo do aumento gradual do salário mínimo.

Os comunistas têm defendido um aumento efectivo imediato e poderão não concordar com a subida gradual acordada entre bloquistas e socialistas.

Vera Jardim quer acordo de “contas certas” ou apoia Assis

Entretanto, este acordo à Esquerda não tem o aval de todos os socialistas e já está em movimento uma “rebelião” contra Costa, liderada por Francisco Assis, por causa da sua estratégia neste processo.

O dirigente socialista e ex-ministro da Justiça Vera Jardim assume que prefere a “solução Assis” a um acordo de Esquerda sem “contas certas”.

Em declarações ao programa “Falar Claro” da Rádio Renascença, Vera Jardim notou que espera “para ver o acordo” e que tem “esperanças” que vá ao encontro das expectativas socialistas, de modo a que não se corram “perigos”.

Passos pôs ministros a estudarem o programa do PS

Entretanto, a Coligação vai discutir na próxima quinta-feira, em Conselho de Ministros, o programa de governo.

Diário de Notícias garante que Passo Coelho deu aos seus novos ministros e Secretários de Estado o trabalho de casa de estudarem os programas de PS, de Bloco de Esquerda e de PCP, no sentido de apresentarem propostas que “pisquem” o olho à Esquerda, mas sem irem contra os princípios chave da Coligação.

Depois de discutido e de aprovado em Conselho de Ministros, o programa do novo governo será apresentado aos deputados. A discussão do mesmo na Assembleia da República está marcada para os dias 9 e 10 deste mês.

ZAP