O deputado socialista Porfírio Silva disse esta quarta-feira no Parlamento que Rui Rio humilhou o próprio partido ao afirmar que o PSD não recuou no sentido de voto do diploma sobre a aprovação integral de tempo de serviço dos professores.
“Rui Rio tem-se revelado aos portugueses nestes últimos dias. Onde realmente se revela a fibra de um político, é quando [Rui Rio] não hesita em tentar construir uma cortina de fumo, lançando lama sobre o parlamento, humilhando os deputados do seu próprio partido, que, segundo a comunicação social, estiveram sempre ao telefone com ele durante a reunião”, criticou o dirigente socialista
“E dizendo que os trabalhos da Comissão de Educação foram uma confusão, como sempre, procurando dar a ideia de que ninguém sabia bem o que estava a fazer, que ninguém sabia o que tinha sido votado – mas a verdade é que todos sabíamos bem o que tínhamos votado, nomeadamente os que vieram cantar vitória aos microfones”, acrescentou.
Porfírio Silva sugeriu ainda que sociais-democratas tinham uma agenda escondida ao aprovar a medida em causa, que passava por “despedir professores” e “infernizar permanentemente a vida da escola pública”.
No debate desta quarta-feira, que foi muito marcado pela discussão sobre o tempo de serviço dos professores, todos os partidos trocaram acusações. PSD, CDS, Bloco e PCP apontaram baterias ao Executivo de António Costa, ao passo que os socialistas defenderam-se atacando o líder do PSD.
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, acusou António Costa de “febre eleitoral”, devidamente apoiada pelo ministro das Finanças, autor de de uma “aldrabice” orçamental. O bloquista referia-se ao relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que sustenta que ao descongelamento da carreiras dos professores custaria 567 milhões de euros e não 800 milhões, como avançado por Mário Centeno.
“Os dados da UTAO trazem uma clarificação definitiva e indispensável e demonstram como o ministro Mário Centeno montou o guião financeiro desta crise artificial completamente baseado em mentiras. Percebemos que são contas ‘à la’ Eurogrupo. A UTAO desmente absolutamente o Governo e Mário Centeno”.
No fundo, e tal como explica o semanário Expresso, estes valores não divergem: diferença entre o valor avançado pela UTAO e o valor defendido por Centeno tem uma razão de ser: as contas do Governo foram apresentadas em valores brutos, enquanto as da UTAO dizem respeito a valores líquidos (considerando a Segurança Social e o IRS).
Os deputados dos CDS e do PSD atacaram também António Costa. “Quando o país precisava de um estadista tivemos um político habilidoso”, atirou a centrista Cecília Meireles. Por parte do PSD, Adão Silva, vice-presidente da bancada, classificou a ameça de demissão de Costa como um “golpe de teatro rasca”. E vincou:“Nós não mudámos de posição. Não recuámos. Não temos duas caras. Não enganámos os portugueses. Não fazemos o teatro”, defendeu o social-democrata.
O Bloco, pela voz do seu líder parlamentar João Oliveira, recorreu também ao argumento da crise política encenada. “A cinco meses de eleições legislativas, o que o país precisa é de avançar com uma política alternativa para resolver os problemas nacionais em vez de se deixar enredar em crises políticas criadas por calculismo eleitoral e fixações em maiorias absolutas”, afirmou o comunista.
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Os tabefes foram bem aplicados... aquela bancada de braço dado com o BE e PCP , deveria ser toda corrida. Deram um presente a Costa !