José Sena Goulão / Lusa

O secretário-geral do PS, António Costa, com Carlos César (esq) e Eduardo Ferro Rodrigues (dir)

Mais de 200 pessoas de etnia cigana inscreveram-se no PS, em finais de Outubro, com o intuito de se tornarem militantes do partido. A sede nacional não aceitou as inscrições e fala em “falhas” no processo, mas há no PS quem não entenda essa decisão.

O secretário nacional do PS para a Organização revela que foi pedida uma averiguação sobre a entrada de cerca de 200 fichas de adesão, para inscrição, numa secção temática de Defesa e Soberania Nacional deste partido.

Uma posição que surge depois de o jornal Público ter noticiado que cerca de duas centenas de pessoas de etnia cigana – ligadas à Associação Social, Recreativa e Cultural de Águeda (ASRCCA), no distrito de Aveiro – pretendem inscrever-se no PS.

Esta Associação terá recolhido a documentação necessária para a inscrição e terá entregue as fichas em mãos na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, numa recente secção temática criada neste partido, dedicada à “Defesa, Segurança e Soberania”.

Ora, a direcção nacional do PS apontou “falhas” ao processo de inscrição, “relacionadas com a secção do partido escolhida pelos candidatos a militantes”, conforme refere o Público.

O responsável pelo gabinete de organização e dados do PS, João Pires, cita os estatutos do PS para dizer ao jornal que estes “não permitem que os candidatos se filiem através das secções temáticas, porque não têm autonomia para o fazer

“.

Mas, em declarações à agência Lusa, o dirigente socialista Hugo Pires apresenta outra versão, frisando que “sempre que acontecem estas situações de entrada de fichas em massa, os serviços do partido têm de averiguar moradas, identidades e outros aspectos de legalidade”.

“Esta é uma prática habitual e nada tem a ver com qualquer questão étnica relativa aos requerentes”, frisa ainda Hugo Pires, realçando que o que está em causa é o receio de que o processo possa ter “características anómalas”.

Entretanto, uma fonte do PS não identificada conta ao Público que há receios, no interior do partido, de que este grupo de cidadãos possa eleger delegados no próximo congresso que está marcado para 2018.

As mais de 200 fichas de inscrição foram remetidas para as secções distritais de Aveiro e de Coimbra, onde vivem os candidatos a militantes, conforme nota o Público. Só depois de estas analisarem os processos é que as fichas serão devolvidas à sede nacional para uma decisão final.

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