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António Saraiva, presidente do PS Guarda, discursa num evento.

Está lançada a polémica no PS da Guarda, depois de um email em que o presidente da Federação distrital socialista, António Saraiva, ameaça retirar a “confiança política” ao ministro da Saúde, se não forem nomeados elementos do partido para a gestão do hospital local.

O caso surge noticiado pela Rádio Altitude, da Guarda, que avança que o presidente da distrital do PS enviou, na passada sexta-feira, um email a pressionar o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, defendendo a nomeação de figuras vinculadas aos socialistas para o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda.

Este email foi enviado ao Ministério da Saúde, à secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, ao secretário nacional para a administração, Luís Patrão, ao secretário nacional para a organização, Hugo Pires, e aos dois deputados eleitos pela Guarda, Maria Antónia Almeida Santos e Santinho Pacheco, segundo a Altitude.

António Saraiva enviou a mensagem depois de Adalberto Campos Fernandes ter nomeado a médica Isabel Coelho como presidente da ULS da Guarda.

Trata-se de uma figura independente, embora seja próxima do PS, que é “prestigiada e considerada uma escolha consensual para o cargo”, conforme sublinha a Altitude, notando que Isabel Coelho dirige “a única Unidade de Saúde Familiar do distrito” e que foi directora do Centro de Saúde da Guarda e presidente da Sub-Região de Saúde local.

De acordo com a mesma rádio, a médica terá recebido de Adalberto Campos Fernandes “carta branca” para escolher a sua equipa em função de “requisitos de experiência profissional em cada área” e sem preocupações de “filiação partidária”.

“É o desacreditar do PS em termos distritais”

Ora, esta circunstância desagrada aos responsáveis da Federação socialista que não desejariam perder “o controlo das nomeações” para o que consideram ser “um potencial centro de poder”, atesta a Altitude.

Essa ideia fica vincada no email enviado por António Saraiva, conforme transcreve a rádio e reproduz o Observador.

“Em termos locais e distritais, não é possível que um Conselho de Administração de uma estrutura como é a ULS da Guarda não integre um único elemento de plena confiança das nossas estruturas locais e concelhias”, salienta Saraiva na mensagem.

“É o desacreditar do PS em termos distritais, da nossa afirmação e presença e como tal, o arrastar de graves consequências políticas“, atesta ainda o presidente da distrital da Guarda.

Lamentando também que aparecem na equipa nomeada por Isabel Coelho “clínicos que chegaram a pertencer a conselhos de administração do governo PSD“, Saraiva ameaça assim, “demonstrar publicamente” a “não confiança política” da distrital no ministro da Saúde e até, diz que podem “vir a cair candidatos autárquicos”.

Saraiva diz que era só um “alerta”

Entretanto, Saraiva já veio colocar água na fervura, constatando ao Observador que há uma interpretação “distorcida da realidade” e que, “perante boatos” que terão surgido, só pretendeu fazer um “alerta ao ministério para esta questão”.

A Altitude refere, por seu turno, que pode estar em causa “uma mera estratégia política pessoal – que não terá tanto a ver com a ULS, mas sim com o processo de escolha do candidato do PS à Câmara da Guarda“.

O que é certo é que o email do presidente da Federação da Guarda caiu mal no goto de vários elementos do partido no distrito. Um dirigente socialista local atesta ao Observador que pode mesmo vir a ser convocada uma Comissão Política Distrital para pedir “a cabeça” de António Saraiva.

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