Mário Cruz / Lusa

O PS está a mobilizar os seus deputados no sentido de garantir que, desta feita, a eutanásia passará no Parlamento. Tudo indica que venha a ser aprovada numa altura em que os médicos estão divididos quanto ao assunto, havendo seis clínicos que admitem, num inquérito, já ter praticado eutanásia.

O Parlamento debate, nesta quinta-feira, 5 projectos de despenalização da eutanásia apresentados por PS, Bloco de Esquerda, PAN, PEV e Iniciativa Liberal. Contando os votos de todos estes partidos e ainda o voto previsivelmente favorável de Joacine Katar-Moreira, a aprovação da morte medicamente assistida está à vista, com uma maioria confortável de 135 deputados.

Espera-se também que alguns deputados do PSD votem a favor, mas há ainda deputados socialistas que podem votar contra. O Expresso conta 12 deputados do PS que se opõem à despenalização da eutanásia.

Desta forma, no PS “há um toca a reunir para o dia da votação”, com o apelo a deputados que estão em missão no estrangeiro para que voltem a tempo da votação no Parlamento, para que não haja surpresas e a despenalização da eutanásia avance mesmo, segundo destaca o semanário.

Em 2018, as propostas apresentadas no Parlamento não passaram por apenas 5 votos, numa votação nominal dos deputados, em que se manifestaram um a um, com PS e PSD a darem liberdade de voto. Os dois partidos devem manter essa liberdade de voto para a votação desta quinta-feira.

Deputados do PSD avançam com iniciativa de referendo

Um conjunto de deputados do PSD vai avançar com uma iniciativa de referendo sobre a despenalização da eutanásia. O primeiro subscritor da iniciativa é o ex-líder da JSD Pedro Rodrigues, o segundo subscritor é o líder da distrital do Porto, Alberto Machado, e o terceiro é Cristóvão Norte, numa iniciativa à qual já aderiram também o ex-líder da distrital de Lisboa Pedro Pinto, os deputados eleitos pela capital Carlos Silva e Sandra Pereira, bem como os parlamentares e líderes das distritais de Coimbra e Viseu, Paulo Leitão e Pedro Alves, respectivamente.

Pedro Rodrigues defende que não pode ser “uma maioria conjuntural” a decidir uma “questão civilizacional que divide a sociedade”, conforme nota enviada à Lusa.

Entretanto, os jovens ligados aos centros universitários da Companhia de Jesus vão entregar, nesta quarta-feira, uma carta aberta contra a eutanásia

, com cerca de 2.000 assinaturas.

Intitulada “Prevenir o que não se pode remediar”, os jovens jesuítas, com idades entre os 16 e os 30 anos, consideram que aprovar a eutanásia é “um irremediável erro que ainda é possível prevenir” e reiteram o apelo aos deputados para que votem contra.

Seis médicos admitem já ter praticado eutanásia

Um estudo feito pelo director do serviço de cuidados paliativos do IPO do Porto, o oncologista José Ferraz Gonçalves, aponta que 51% dos 1148 médicos que responderam ao inquérito são favoráveis à legalização da eutanásia, 32% são contra e 17% não têm posição definida.

Neste inquérito realizado apenas a médicos inscritos no Norte e que é divulgado pelo Público, também houve seis médicos que, mantendo o anonimato previsto no estudo, admitiram que já praticaram eutanásia e outros dois que estiveram envolvidos em casos de suicídio assistido.

Quando questionados sobre se estariam dispostos a praticar eutanásia no caso da sua legalização, mais de um terço dos inquiridos admitem fazê-lo, enquanto 44% garantem que não o farão e 19% não sabe.

Comentando os resultados do inquérito, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considera que o estudo não é representativo, já que só “o Norte tem cerca de 20 mil médicos inscritos”, como refere ao Público.

Em declarações a este jornal, José Ferraz Gonçalves considera que “os médicos que têm maior contacto com doentes em fim de vida [que vêem mais de 30 pacientes nestas circunstâncias por ano] são mais frequentemente desfavoráveis a essas práticas do que os que têm menor ou nenhum contacto”.

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