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O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande admitiu à agência Lusa a sua “irresponsabilidade” ao dar uma informação errada ao líder do PSD, sobre um alegado suicídio na sequência dos incêndios.

“Admito que houve uma grande irresponsabilidade”, afirmou João Marques.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, que é também líder da concelhia do PSD e cabeça-de-lista do partido às autárquicas, explicou que às 10h00, em Vila Facaia, recebeu a informação, por “pessoas da freguesia” e na presença do presidente da junta, de que uma pessoa se teria suicidado. Por serem informações dadas por locais, que conheciam a alegada vítima, tomou-as como “fidedignas”.

Segundo o provedor da Santa Casa, não foram avisadas as autoridades competentes porque o responsável pressupôs “que as autoridades já teriam conhecimento” da situação, depois de no domingo ter alertado a Segurança Social e a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) sobre a necessidade de acompanhamento psicológico das populações afetadas pelo incêndio.

Às 10h30, João Marques alertou o líder do PSD, Passos Coelho, na vila sede do concelho, sobre o caso de suicídio, “com base na informação” que lhe tinha sido dada em Vila Facaia.

“Por volta das 15h00”, acabou por saber que a informação que lhe tinha sido dada estava “errada”, pedindo “desculpas” a Passos Coelho e “à própria pessoa” que supostamente se teria suicidado.

“Tomámos a notícia como verdadeira. Devíamos ter confirmado“, admitiu o também ex-presidente do município durante quatro mandatos.

“Peço desculpa por ter usado informação não confirmada”

“Eu peço desculpa por ter utilizado uma informação que não estava confirmada”, afirmou Passos Coelho à chegada a Odivelas para a apresentação da candidatura de Fernando Seara à Câmara Municipal.

No entanto, o líder da oposição pediu que tal facto não desvie a atenção do que considera ser o essencial, reiterando que “o Estado falhou” e o Governo tem de fazer chegar rapidamente o apoio público aos familiares das vítimas.

“Temos hoje a confirmação clara de que o Estado falhou quando tantas pessoas perderam a vida como perderam, era muito importante que houvesse um mecanismo rápido de reparação”, apelou.

O presidente do PSD disse hoje que o Estado falhou no apoio psicológico às vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, adiantando ter tido conhecimento de que um suicídio ocorreu por falta desse apoio.

“Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, de pessoas que puseram termo à vida, em desespero”, sinal de que “não receberam a tempo o apoio psicológico que lhes devia ter sido prestado”, declarou o líder dos sociais-democratas aos jornalistas, após uma visita ao quartel dos bombeiros de Castanheira de Pera.

À agência Lusa, pouco depois, o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), José Tereso, disse que não há, até hoje, “nenhum caso de suicídio com ligação” direta à zona afetada pelo incêndio que começou em Pedrógão Grande.

João Marques foi líder do executivo de Pedrógão Grande (distrito de Leiria) pelo PSD de 1997 até 2013, altura em que não se pôde recandidatar devido à lei de limitação de mandatos.

Em 2013, Valdemar Alves foi eleito presidente da autarquia, como independente, nas listas do PSD.

Quando se esperava uma recandidatura de Valdemar Alves pelo PSD, a concelhia liderada por João Marques aprovou o nome deste antigo presidente da Câmara como candidato social-democrata à autarquia.

Após esta decisão, Valdemar Alves tornou-se candidato independente pelo PS às eleições de outubro.

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