Um cientista russo contrariou Moscovo e afirmou que o projeto de armas químicas “Novitchok” existe. “Novitchok não é uma substância, é todo um sistema de armas químicas”
Um cientista russo, citado esta segunda-feira pela agência estatal Ria-Novosti, disse que trabalhou no projeto de armas químicos “Novitchok”, implicado no envenenamento de Sergei Skripal, contrariando a posição de Moscovo de que este programa não existia.
“Novitchok não é uma substância, é todo um sistema de armas químicas”, disse o cientista e um dos criadores deste programa Leonid Rink, em entrevista à Ria-Novosti.
O agente neurotóxico Novitchok foi apontado por Londres como sendo a fonte do envenenamento do ex-agente duplo russo e da sua filha. “Ainda estão vivos, o que significa que ou não era o sistema Novitchok ou estava preparado de forma errada“, disse Rink.
O químico russo Vil Mirzayanov, agora refugiado nos Estados Unidos, revelou a existência do programa e a sua fórmula química. Segundo o químico, estes agentes de máxima eficácia foram desenvolvidos na década de 1980 por cientistas soviéticos.
Após as acusações de Londres, Moscovo negou a existência de qualquer programa de desenvolvimento de armas químicas chamado “Novitchok”, tanto no tempo da URSS como na atual Rússia.
“Um grande grupo de especialistas estava a desenvolver o Novitchok em Moscovo e Chikhany: técnicos, toxicólogos, bioquímicos… Conseguimos um resultado muito bom”, afirmou Rink. Durante o período soviético este sistema foi designado por “Novitchok-5“. “Este nome nunca foi usado sem o número que lhe estava associado”, disse.
Na entrevista, Rink deixou claro que não acredita que a Rússia esteja por trás
do envenenamento de Sergei Skripal, porque sabe que o uso deste agente neurotóxico pode ser rastreado. “Disparar num indivíduo, que não apresenta qualquer interesse, um míssil deste calibre e depois fazê-lo sem alcançar o objetivo é o auge da estupidez”, defendeu.De acordo com o químico, a tecnologia do projeto “Novitchok” é acessível “para qualquer estado desenvolvido” ou grande empresa farmacêutica.
Depois desta entrevista polémica, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo foi questionado hoje pela Agência France Presse, e manteve a sua posição. “Não havia qualquer programa de pesquisa e desenvolvimento sob o nome Novitchok”.
O caso levou já a primeira-ministra britânica a anunciar a “suspensão de contactos bilaterais” com Moscovo e a expulsão de 23 diplomatas russos, aos quais foi dado o prazo de uma semana para deixarem o Reino Unido. Depois disso, a Rússia reagiu e anunciou a expulsão de 23 diplomatas britânicos e o fim das atividades do British Council no país.
Numa entrevista à BBC, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, disse no domingo que Londres tem “evidências” de que a Rússia “desenvolveu e armazenou” o Novichok.
Os chefes de diplomacia da União Europeia condenaram na segunda-feira o envenenamento do ex-espião russo e da sua filha e admitiram considerar altamente provável o envolvimento da Rússia, como defende o governo britânico.
Em comunicado, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 consideraram que “a vida de muitos cidadãos foi ameaçada por este ato impiedoso e ilegal” e assumiram levar “extremamente a sério” a avaliação do Governo do Reino Unido de que é “altamente provável” que a Rússia seja responsável pelo envenenamento dos Skripal.
[sc name=”assina” by=”” url=”” source=”Lusa”]
"O químico russo Vil Mirzayanov, agora refugiado nos Estados Unidos". Será preciso dizer mais? para bom entendedor (e há muito poucos...) meia palavra basta!