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Vários docentes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra estão indignados com o facto de os alunos fitados do curso de História terem batizado o carro do Cortejo da Queima das Fitas com o nome “Alcoholocausto”.

Vários professores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra revelaram estar “profundamente envergonhados e amargurados” com o nome escolhido para o carro do Cortejo da Queima das Fitas dos alunos do curso de História, que decidiram batizar o carro de “Alcoholocausto“.

Num abaixo-assinado, os docentes vincam publicamente a sua posição, afirmando que sentem “inteiro repúdio e total rejeição” pelo nome escolhido, adianta o jornal Público.

Além disso, defendem que “é particularmente grave que sejam estudantes universitários de História a colaborar numa lógica de banalização que os aproxima, objetivamente, do negacionismo”.

Depois de várias vozes se terem insurgido contra esta opção mesmo antes da realização do Cortejo, no passado domingo, os alunos recuaram na decisão, tendo o carro desfilado sem nome. Ainda assim, os estudantes universitários colocaram mensagens de protesto no local onde se situa o nome do carro de curso.

“Com esta polémica toda, parece que há Polícia Académica”, lia-se num dos cartazes.

Em comunicado, citado pelo diário As Beiras

, os finalistas continuaram a defender a utilização do nome “Alcoholocausto”, afirmando que esta designação era “apenas e só o nome de um carro integrante do Cortejo da Queima das Fitas, o qual terminaria no final do cortejo no amontoado de destroços que são deixados anualmente”.

Em resposta às acusações dos alunos, que se dizem censurados, os professores afirmam que existem limites para a sátira e o humor “consignados na lei”. Contudo, mesmo antes de referirem uma ordem jurídica, os docentes sublinham o “conceito elementar de responsabilidade ética individual”, defendendo que esta ação dos alunos viola a dignidade humana.

“Quem assim procede torna-se, implicitamente, cúmplice dos crimes cometidos e não poderá, em nenhuma circunstância, furtar-se a esta responsabilidade. E muito menos poderá, quando confrontado com a indignidade da sua posição, arrogar-se a posição de vítima de um qualquer ato de ‘censura'”, rematam.

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