José Sena Goulão / Lusa
António Ramalho, presidente do Novo Banco
Debaixo de fogo depois de serem reveladas as perdas avultadas relacionadas com a venda da carteira de imóveis do Novo Banco, António Ramalho enviou uma carta a Luís Marques Mendes, comentador da SIC, a explicar por que se tem mantido em silêncio.
De acordo com a carta enviada pelo presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, ao comentador Luís Marques Mendes, à qual o jornal ECO teve acesso, o responsável diz que não avança com mais explicações porque o banco está a ser auditado pela Deloitte, o que obriga a uma “descrição adicional”.
“O Novo Banco está sob auditoria especial, o que obriga eticamente a um dever de descrição adicional em relação a operações incluídas nessa auditoria. É essa dimensão ética que nos impede de responder”, justifica António Ramalho a Marques Mendes, que comentou o caso na SIC, dizendo que o banco cometou dois pecados capitais.
António Ramalho escreveu que o Novo Banco é a instituição “mais escrutinada dos bancos portugueses” e que vai fazer todos os “esforços” para “contribuir para a transparência do seu processo de capitalização, acordado em 2017″.
O presidente afirmou ainda que o “financiamento de imóveis associado à venda de imóveis, é prática corrente no mercado” e que o Novo Banco foi “expressamente autorizado”, “desde 2014, pela Comissão Europeia” a fazê-lo “dado o elevando montante de imóveis estacionados que possuía”.
A auditoria independente ao Novo Banco pela Deloitte é aguardada com expectativa, principalmente depois de ter sido noticiadas suspeitas sobre a venda de imóveis e pelas sucessivas injeções de capital pelo Fundo de Resolução com recurso a financiamento dos contribuintes. Porém, a consultora falhou o prazo limite que o Executivo lhe tinha dado para apresentar as suas conclusões, o que fez com que o Governo suspendesse todas as eventuais operações de venda de ativos.
Fundo de Resolução nega venda a gestor condenado
Na segunda-feira, o jornal Público noticiou que o Novo Banco vendeu, em outubro, uma seguradora com desconto de quase 70% a fundos geridos pela Apax, operação que gerou uma perda de 268,2 milhões e foi compensada com verba do Fundo de Resolução.
Em comunicado enviado às redações, citado pelo ECO
, o Fundo de Resolução assegurou que “é falso que a GNB Vida tenha sido adquirida por ‘um gestor condenado por corrupção’“, o magnata do setor segurador Greg Lindberg. De acordo com a entidade liderada por Luís Máximo dos Santos, “a aquisição foi feita pelos fundos APAX Partners, cuja idoneidade foi objeto de avaliação pela autoridade competente”.O Fundo de Resolução escreveu ainda que “o valor da venda correspondeu ao valor da melhor oferta recebida na sequência de um processo de venda aberto e competitivo e reflete, portanto, o valor de mercado, naquele momento, do ativo em causa“.
Segundo a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), o beneficiário último desta compra não é Lindberg. “Os requerentes informaram que um fundo gerido pela Apax Partners LLP pretendia adquirir a GBIG Portugal e, consequentemente, Greg Evan Lindberg não seria o beneficiário último da operação, nem a estrutura acionista prevista para a GNB [Vida] seria aquela que tinha sido apresentada no processo inicial”.
Também na segunda-feira, a GamaLife, ex-GNB Vida, garantiu que não tem “qualquer relação” com Greg Lindberg. “A GamaLife esclarece que não tem, tal como a Apax Partners, e os fundos assessorados pela Apax Partners, qualquer relação (de propriedade ou outra) com Greg Evan Lindberg”, afirmou a empresa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Fonte oficial do Novo Banco emitiu comunicado onde indica que a instituição vai “analisar juridicamente” a “campanha continuada” de notícias publicadas pelo Público, que têm sido alvo de vários desmentidos nos últimos meses.
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E porque uma carta ao Marques Mendes a explicar o seu silêncio e não explicar aos portugueses o porque do seu silêncio? Se alguém tem de saber porque se mantém em silêncio somos nós todos os contribuintes a querer saber o é para o Marques Mendes branquear a sua historia?