Michael Reynolds / EPA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Vários tweets de Donald Trump, no qual o Presidente norte-americano acusava o seu antecessor Barack Obama de desencadear uma guerra com o Irão para conseguir ser reeleito, foram agora recuperados depois do ataque ordenado pelos Estados Unidos para matar o general da elite do Irão Qassem Soleimani.
Na passada quinta-feira, Trump ordenou a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds. “Por ordem do Presidente, as forças armadas dos Estados Unidos tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani”, disse o Departamento de Defesa norte-americano.
O ataque aéreo, que matou mais sete pessoas incluindo o “número dois” da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, levou vários utilizadores a recuperarem antigas publicações de Trump, datadas de 2011 e 2013.
No Twitter, Trump insinuou pelo menos 14 vezes que Barack Obama atacaria o Irão e iniciaria uma guerra para conseguir ser reeleito Presidente dos Estados Unidos.
“O nosso Presidente vai começar uma guerra com o Irão porque não tem absolutamente nenhuma capacidade de negociar. É fraco e ineficaz. Portanto, a única forma de que conseguiu encontrar para ser eleito (…) é começar uma guerra com o Irão”, disse Donald Trump em 16 de novembro de 2016, citado pelo portal Business Insider.
Barack Obama acabou por ser reeleito Presidente dos Estados Unidos em novembro de 2012 para o segundo e último mandato, sendo empossado em janeiro de 2013
.Após a reeleição, as previsões e insinuações de Donald Trump continuaram no Twitter.
“Prevejo que o Presidente Obama vai, em algum momento, atacar o Irão para salvar a própria pele”, 16 de setembro de 2013. “Lembrem-se do que eu disse: um dia o Obama vai atacar o Irão para mostrar quão duro é”, voltou a insistir, a 25 de setembro de 2013.
Apesar de ter vaticinado que Obama atacaria o Irão, foi agora o próprio Trump a ordenar um ataque a um general iraniano pouco antes da realização de presidenciais nos Estados Unidos, cujo escrutínio está marcado para 3 de novembro de 2020.
Em comunicado, citado pela agência Lusa, o Pentágono alegou que levou a cabo o ataque porque Soleimani estava “ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região”.
Por sua vez, o Irão, pela voz do seu líder supremo, prometeu vingar a morte do seu general. “O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires”, afirmou Ali Khamenei, citado pela a agência France-Presse.
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Tão previsível.
À beira de um processo de destituição e em ano de eleições, Trump quer espalhar o medo e exaltar a supremacia americana para se manter no poder; nem que para isso tenha de matar centenas de milhares de inocentes e pôr em causa a estabilidade mundial. É um fanático, um terrorista típico.
Mais uma vez os EUA usam argumentos fingidos para levar a cabo os seus intentos políticos e pessoais do seu presidente. Já vimos este filme com George W. Bush. Vamos ver se desta vez a Europa é mais esperta.