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Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo

O Presidente do Eurogrupo está debaixo de fogo, depois de ter dito a um jornal alemão que, apesar de considerar a solidariedade um valor importante, “não se pode gastar dinheiro em álcool e mulheres e, a seguir, pedir ajuda”. Mas recusa pedir desculpas pelas palavras que “saíram da sua boca”.

“Durante a crise do euro, os países do Norte mostraram-se solidários com os países afetados pela crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e, a seguir, pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e também a nível europeu”, disse Jeroen Dijsselbloem ao Frankfurter Allgemeine Zeitung.

As declarações ao jornal alemão estão a colocar o presidente do Eurogrupo no centro da polémica, com vários deputados europeus a sugerir que se trata de um insulto aos países do sul da Europa e, por isso, há quem já peça a sua demissão, escreve o El País.

Esta nova controvérsia à volta de Dijsselbloem surge numa altura em que a sua posição como presidente do Eurogrupo está já fragilizada, após a derrota histórica do seu partido, o PvdA, que passou de 38 para nove deputados nas legislativas da semana passada na Holanda.

O holandês já explicou que não estava a referir-se em nenhum país em particular e recusa-se a pedir desculpa.

“Sou social-democrata e valorizo muito o princípio da solidariedade numa sociedade, na Europa. Mas a solidariedade deve estar acompanhada de compromissos e esforços”, disse no Parlamento Europeu, acrescentando que não quis “ofender quem quer que seja”.

Não fiquem ofendidos, não se trata apenas de um país mas de todos os países. A Holanda também falhou em cumprir aquilo que tinha acordado”, explicou.

Com os resultados nas eleições, o ainda ministro das Finanças holandês poderá vir a perder o cargo de liderança no Eurogrupo, sendo o espanhol Luis de Guindos o mais falado para o substituir.

Portugal exige demissão de Dijsselbloem

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, já pediu esta quarta-feira, em Washington, o afastamento do presidente do Eurogrupo.

“Hoje, no Parlamento Europeu, muita gente entende que Jeroen Djisselbloem não tem condições para permanecer à frente do Eurogrupo e o governo português partilha dessa opinião”, disse o ministro. Augusto Santos Silva considerou que as declarações “são muito infelizes e, do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis

“.

“Há, por um lado, o aspecto de uma graçola que usa termos que hoje já não são concebíveis, essa ideia de gente que anda a gastar dinheiro com vinho e mulheres é uma forma de expressão que, com toda a certeza, não é própria de um ministro das Finanças europeu”, explicou.

O primeiro-ministro António Costa também já reagiu à infeliz tirada do presidente do Eurogrupo, considerando que foi um discurso “racista, xenófobo e sexista”. Costa vai mais longe e diz que a “Europa só será credível enquanto projeto comum no dia em que o sr. Dijsselbloem deixar de ser presidente do Eurogrupo”.

Ao Observador, o líder parlamentar e presidente do PS, Carlos César, também expressou o seu descontentamento, considerando que “este é o tipo de criatura que não faz falta na União Europeia”.

“As declarações que fez são absolutamente inaceitáveis pelo grau de preconceito que demonstram, de racismo, de xenofobia, de sexismo também”, afirmou também a bloquista Isabel Pires.

Os dois partidos já anunciaram que vão apresentar um voto de condenação na Assembleia da República contra o Presidente do Eurogrupo.

Também o grupo dos Socialistas Europeus, ao qual Dijsselbloem curiosamente pertence, já reagiu a estas declarações, que considerou “vergonhosas e chocantes”, e sustenta que o presidente do Eurogrupo “foi longe demais, ao utilizar argumentos discriminatórios contra os países do sul da Europa”.

Não há desculpa ou razão para recorrer a tal linguagem, especialmente de alguém que é suposto ser um progressista. Questiono verdadeiramente se uma pessoa com estas crenças ainda pode ser considerada adequada para o cargo de presidente do Eurogrupo”, comentou o líder da bancada dos Socialistas Europeus no Parlamento, Gianni Pittella.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]