Tiago Petinga / Lusa

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa

O ex-presidente da Proteção Civil disse ter perdido a “confiança institucional” na ministra da Administração Interna por causa do inquérito aos helicópteros Kamov.

O ex-presidente da Proteção Civil disse, numa carta enviada à ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa, ter “perdido a confiança institucional” por não lhe ter dado conhecimento das conclusões do inquérito ao caso dos helicópteros Kamov.

“Registo com profundo desagrado o facto de Vossa Excelência ter objetivamente optado por me manter no desconhecimento desta matéria, que se refere diretamente à ANPC e a seus elementos”, escreveu Francisco Grave Pereira, numa carta a que o Diário de Notícias teve acesso.

“Considero esta posição de uma absoluta falta de consideração institucional e pessoal, para mim incompreensível e inaceitáveis”, frisa ainda o antigo responsável pela ANPC.

Nesse sentido, o ex-presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) realça na carta ter perdido a “confiança institucional” na ministra.

Francisco Grave Pereira, que pediu a demissão do cargo na passada terça-feira, afirma na carta ter tido conhecimento no dia 2 de setembro pelo chefe de Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, do inquérito conduzido pelo Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

Na carta, o ex-presidente adianta: “Não podendo ignorar o que a imprensa tem vindo a veicular, não posso deixar de reiterar que as causas do pedido de demissão nada têm a ver com o inquérito da IGAI, cujas recomendações ou conclusões, aparentemente já do domínio jornalístico, ainda desconheço por completo“, sublinhou.

Segundo o DN, esta demissão já levou quer o PSD quer o CDS a anunciar que pretendem ouvir no Parlamento a ministra da Administração Interna e o ex-presidente da ANPC.

Numa altura em que o país continua a ser fustigado pelas chamas, os dois partidos da oposição dizem estar surpreendidos com esta demissão e querem justificações sobre este incidente.

A abertura do inquérito surgiu após a ANPC ter detetado problemas “graves no estado das aeronaves”, que ditaram a impossibilidade de os helicópteros estarem em plena condição de serem operados, durante o processo de transferência dos Kamov para a empresa que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.

O inquérito incidia sobre “as circunstâncias descritas e apuradas durante o processo de consignação dos meios aéreos próprios pesados do Estado, tendo em vista o apuramento de responsabilidades a que haja lugar nesse âmbito”.

Dos seis helicópteros Kamov da frota do Estado, apenas três estão aptos para voar, estando dois inoperacionais por avaria e outro acidentado desde 2012.

ZAP / Lusa