Nádia Piazza tornou-se no rosto das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, como presidente da Associação de Apoio criada depois da tragédia e mãe de uma das crianças mortas no fogo. Agora, é o rosto da polémica depois do anúncio de que vai colaborar na redacção do programa eleitoral do CDS.

A maioria das críticas a esta associação de Nádia Piazza ao CDS vêm “sobretudo de pessoas ligadas ao PS ou próximas dos partidos da maioria de esquerda”, atesta o Expresso, notando que houve “ataques muito duros, sobretudo nas redes sociais”.

Entre as figuras mais críticas, está a professora Estrela Serrano, que integra o Conselho de Opinião da RTP por indicação do PS. A antiga assessora de Mário Soares usou o Twitter para notar que, “agora que se sabe que Nádia Piazza vai trabalhar no programa eleitoral do CDS, compreendem-se melhor as suas posições e atitudes de culpabilização e de hostilidade ao Governo”.

Uma posição que o vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, classifica como um gesto “indigno” e “torpe”, segundo declarações no podcast “Comissão Política” do Expresso.

Mesquita Nunes recorda que Nádia Piazza perdeu o filho de 5 anos no incêndio de Pedrógão Grande e destaca que “o seu trabalho como presidente da Associação de Vítimas tem sido um trabalho louvado por todos, não politizado”. Todavia, “o único balanço que Estrela Serrano faz da actuação de Nádia Piazza é saber se está de acordo com o Governo ou não está”, constata, concluindo que é “indigno” e “torpe”.

O vice-presidente do CDS vai coordenar o programa eleitoral do CDS e explica o convite feito a Nádia Piazza com o facto de ter mostrado “uma visão sobre o território, sobre o Interior, sobre as falhas que necessitam de ser colmatadas”, em várias entrevistas que deu.

“Sou independente e livre”

Por seu turno, Nádia Piazza explica ao Público que aceitou o convite como “uma missão pessoal” para “fazer o tema da interioridade vir ao de cima”.

Confessando-se “independente e livre”, e “apartidária“, a jurista que trabalha como consultora na Câmara de Figueiró dos Vinhos refere que está “disponível para discutir com os outros partidos e para debater noutros fóruns”.

Nádia Piazza refere que já teve encontros com a UGT e nota que tem mantido “reuniões com o Governo”, nomeadamente com o líder da unidade de missão que está a organizar o novo mecanismo de Protecção Civil, Tiago Martins Oliveira.

“Tenho o direito e o dever de ser uma cidadã activa. Não é, de forma alguma, uma entrada na vida política”, garante ainda Nádia Piazza.

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