António Cotrim / Lusa

Preço pago pela indústria não para de cair. Autarcas pedem ao governo a definição de preços mínimos. Parlamento já aprovou lei nesse sentido, mas ainda espera o fim das férias dos deputados.

Os pequenos produtores florestais preocupam as Câmaras. Por causa dos incêndios que, este verão, fustigaram, sem piedade a área florestal portuguesa, com especial relevância para o de Pedrógão Grande, os preços da madeira queimada continuam a descer.

No parlamento, há um projeto de lei, aprovado na generalidade a 19 de julho, que prevê que o Ministério da Agricultura e Florestas crie parques para receber madeira queimada do fogo de Pedrógão e defina um preço baseado naquilo que se verificava antes do fogo.

O problema é que o projeto, aprovado pelo PSD, BE, CDS-PP, PCP e PEV, não passou de imediato, devido ao PS, a votação final global e está à espera que os deputados regressem de férias para começar a ser discutido na especialidade.

Quem, neste local, tinha plantações de árvores, como pinheiros, por exemplo, viu o preço cair a pique, depois do incêndio que começou a lavrar a 17 de junho. A TSF

conta a história de Domingos Luís que, em árvores, tinha reunidos entre 20 a 25 mil euros.

Mas depois veio o fogo e o preço desceu. Como Domingos, muitos optaram por não vender no momento, já que o preço da madeira queimada era demasiado baixo. Depois disso, vieram os incêndios de verão, em julho e em agosto. E o preço não parou de descer.

Domingos Luís está agora num impasse: ou vende rapidamente por valores muito baixos, ou espera e vê a madeira degradar-se com o tempo e a chegada das chuvas.

Enquanto o diploma proposto não é aprovado, a madeira vai-se deteriorando e as economias de Domingo Luís ficam cada vez mais pobres. A presidente da Câmara de Góis, um dos municípios mais afetados pelo incêndio de Pedrógão, explica que muitos donos da madeira queimada dizem que o que lhes estão a oferecer não chega para recuperar o investimento e com frequência nem para pagar o trabalho de limpar a mata.

Lurdes Castanheira acrescenta que muitos estão a deixar a madeira nos terrenos o que é um problema para o futuro: matéria altamente combustível para novos incêndios.

Estas razões que já levaram os vários autarcas da zona a propor ao governo, incluindo diretamente ao primeiro-ministro que, para acabar com a especulação, o Estado defina preços mínimos com urgência e crie incentivos a uma reflorestação ordenada.

Enquanto isso, os números continuam a baixar. A Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente revela que o preço pago pela indústria pelo pinho queimado desce mensalmente: neste momento cada tonelada é paga a 27 euros, “madeira que normalmente mesmo queimada anda nos 36 euros” (menos 25%).

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