José Sena Goulão / Lusa

João Araújo, advogado de José Sócrates, durante um encontro com a imprensa

A Procuradoria-Geral da República decidiu prorrogar por três meses o prazo para a conclusão do inquérito da ‘Operação Marquês’, a contar da data de junção ao processo da última carta rogatória a ser devolvida. A defesa de José Sócrates já reagiu ao novo prazo.

Devido às “contingências relativas aos pedidos de cooperação internacional, os magistrados que integram a equipa de investigação e o diretor do DCIAP consideram que o encerramento do inquérito deverá acontecer, no máximo, em finais de julho, sem prejuízo de poder ser antecipado caso as cartas rogatórias sejam devolvidas em prazo que permita essa mesma antecipação”, lê-se ainda numa nota da PGR.

A defesa de Sócrates considera que a Procuradora-Geral da República fixou, “mais uma vez, prazo nenhum” e apelidou o despacho de “longo e palavroso, cheio de coisa nenhuma”.

João Araújo diz que a justiça não está a “funcionar com regularidade”, e defendeu que “alguém tem de se ocupar” em garantir o “normal funcionamento do poder judicial”.

Questionado sobre se Marcelo Rebelo de Sousa deveria intervir, o advogado de Sócrates diz que “é evidente que o senhor Presidente da República não é para aqui chamado”.

“Se fosse uma avioneta que caísse, ao pé de um supermercado… isso é um assunto do senhor Presidente. Agora, uma instituição tão vital como é a justiça, que não funciona, isso já é um ‘fait divers

”, ironizou o advogado em declarações à TSF.

“Afinal, todo o aparato de 2014 se revela como o que realmente foi – um mísero pretexto para um assassinato de carácter”, concluiu João Araújo.

Em setembro, a Procuradoria-Geral da República concedeu seis meses para a conclusão do processo de acusação da Operação Marquês que tem José Sócrates como o principal arguido.

No entanto, em março, o prazo da investigação foi prolongado por mais três meses, após pedido dos Procuradores responsáveis pelo processo, tendo sido frisado que o director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Amadeu Guerra, deveria “prestar informação, até finais de Abril“, sobre a “evolução” do processo e “indicar o prazo que se mostra ainda necessário, se esse for o caso”.

O inquérito da “Operação Marquês” tem 28 arguidos constituídos, 19 pessoas singulares e nove colectivas, segundo dados da PGR.

[sc name=”assina” by=”” url=”” source=”Lusa” ]