Oscar in the middle / Flickr

O Comando do Porto assume constrangimentos orçamentais para a manutenção e reparação das suas viaturas. Um dos seus destacamentos avançou com medidas concretas, como a opção pelo patrulhamento a pé.

Numa comunicação enviada a todas as chefias do distrito, o Comando Territorial do Porto da GNR assume constrangimentos orçamentais, no que toca à manutenção e reparação de viaturas.

A limitação orçamental é de tal ordem que levam a medidas de contenção rigorosas, avança o Diário de Notícias: “é absolutamente proibida a autorização de qualquer serviço/aquisição que origine despesa sem prévia emissão de nota de encomenda”.

A mensagem, que data de 1 de agosto, reconhece que as viaturas se encontram degradadas, com alta quilometragem e avarias constantes, alertando então que “o não cumprimento destas instruções poderá fazer incorrer em responsabilidades pelo pagamento das despesas aos militares que as autorizem.

No entanto, destaca a GNR, a poupança não deve “colocar em causa a atividade operacional”, por isso, sugere “optar por um patrulhamento apeado, moto ou ciclo”, em vez de carro.

A GNR nota também que o “óleo que é colocado nas viaturas poderá ser utilizado até mais cinco mil kms” do que o definido para a revisão. “As viaturas têm uma margem de cinco mil km após a quilometragem marcada para a revisão”. Quando atingir o excesso de cinco mil km, uma viatura “obrigatoriamente deverá ser parada e efetuada uma mensagem como INOP (inoperacional)”.

César Nogueira, diretor da APG/GNR lembra que “há carros com 700 mil ou 800 mil kms ao serviço” e que o patrulhamento a pé é uma opção difícil de considerar: “Só no centro de uma vila ou cidade é que é possível. A maioria dos postos da GNR tem áreas muito extensas, além de ter efetivos humanos muito reduzidos”.

Por tudo isto, o responsável associativo dos militares da GNR diz que “a evolução desde a troika é negativa. As alterações são para pior. Há postos em que as viaturas disponíveis são muito antigas, algumas estão inoperacionais. Não tem havido investimento nas forças de segurança. A GNR recebe a mesma verba mas as manutenções são mais caras, o serviço aumentou, com o turismo a incrementar a atividade.”

No ano passado, quando houve uma redução de verba atribuída para combustíveis, a ministra da Administração Interna garantiu no Parlamento: “Não vai haver carros patrulha parados por falta de combustível”.

Segundo Constança Urbano de Sousa, “as rondas também se fazem a pé“.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]