Se não houver um “milagre de Novembro”, com a chuva a manter-se ao longo do mês, a situação de seca severa que se vive em Portugal pode atingir níveis deveras preocupantes. O Governo apela à poupança de água e o Cardeal Patriarca de Lisboa pede que se faça uma oração da chuva.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê que a chuva vai regressar ao território do Continente a partir de quarta-feira, com uma descida gradual das temperaturas.
Prevê-se “alguma precipitação fraca, que deverá aumentar de intensidade”, antecipa à agência Lusa a meteorologista Joana Sanches, notando que, “ao que tudo indica, a chuva vai manter-se até dia 4 de novembro“.
Todavia, perante a situação de seca severa que atinge 81% do território nacional, esta chuva ainda não compensará a falta de água existente, conforme destaca o presidente do IPMA, Miguel Miranda, na SIC Notícias.
Miguel Miranda reforça que “chover de mansinho, durante muito tempo, é o milagre de Novembro de que estamos a precisar”. Todavia, o responsável do IPMA alerta que “o sinal climático que existe, na previsão a médio prazo, é de uma anomalia negativa na precipitação”.
E é para garantir este “milagre” que o cardeal-patriarca de Lisboa apela a que se faça uma oração pela chuva, conforme comunicado do Patriarcado de Lisboa. “Com a oração insistente, mais coincidiremos com a vontade de Deus”, nota D. Manuel Clemente, apelando aos padres que orem pela “chuva necessária” nas missas.
Sinais preocupantes
No último boletim climatológico do IPMA, relativo a Setembro passado, notava-se que “cerca de 81% do território estava em seca severa” e “7,4% em seca extrema“, depois de um mês que foi o “mais seco dos últimos 87 anos”.
O presidente do IPMA destaca que estes sinais preocupantes vão manter-se no boletim relativo a Outubro, que será divulgado ainda nesta terça-feira.
“Mesmo nos anos em que houve uma seca, até, nalguns casos, mais intensa do que temos observado em 2017, Outubro foi o mês em que a seca foi recuperada. Não conheço nenhum caso em que a seca tenha agravado em Outubro. E nós estamos num caso em que a seca se agravou em Outubro“, alerta Miguel Miranda, reforçando, assim, a gravidade da situação.
O responsável do IPMA acrescenta que a chuva que caiu, neste mês que está no fim, “não representou nem metade do que é habitual chover em Outubro e, nalgumas zonas do país, nem 20%”. E por culpa disso, “muitas plantas já estão a perder mais água por desidratação do que aquela que conseguem retirar do solo”, o que é um sinal altamente preocupante para a agricultura.
Governo apela à poupança de água
Os portugueses têm que fazer “uso parcimonioso” da água e as autarquias devem limitar o uso da água em lavagens de ruas e regas a situações inadiáveis, avisa o Governo.
O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, em conferência de imprensa com o seu colega da Agricultura, Capoulas Santos, alertou “que ninguém se iluda” quanto à gravidade da seca que afecta o país.
“Não é por chover dois ou três dias que a situação se vai inverter”, salientou, indicando que vai arrancar, nos meios de comunicação social, uma campanha para promover o uso cuidadoso da água por toda a população.
Como bom exemplo, João Matos Fernandes aponta o caso do município de Nelas que encerrou as suas piscinas, como seguidor de “uma orientação que é para todo o país” e que está a ser “assumida pelas autarquias”.
“Quanto mais se agravar [a seca] mais essas medidas terão de ser assumidas”, admitiu o ministro do Ambiente.
A primeira prioridade na poupança de água é reservá-la para o consumo humano, indica Matos Fernandes, afirmando que, nos últimos lugares de prioridade, estão a rega de jardins, o enchimento de piscinas e o funcionamento de fontes ornamentais.
Quer Portugal quer Espanha estão a cumprir os valores mínimos de caudais exigidos a ambos os países na gestão de rios internacionais, como o Tejo.
Em vários municípios do distrito de Viseu, prossegue a campanha de abastecimento com camiões cisternas. Estão previstos 110 abastecimentos diários com 27 camiões para levar a água em falta às populações.
O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, destacou a alimentação e a água para o gado como as principais prioridades no sector agrícola, nesta altura, e anunciou a abertura de uma linha de crédito para tesouraria dos agricultores, no valor de cinco milhões de euros.
“O uso sustentável da água tem que ser uma preocupação dos portugueses”, não só na situação de urgência que se vive hoje, mas também para o futuro, “num tempo mais lato”, sublinha também Capoulas Santos.
[sc name=”assina” by=”SV, ZAP” source=”Lusa”]
Há muito que se sabe que a península ibérica vai ser uma das zonas do planeta que irá ser mais afetada pela seca. Pelo menos assim tenho lido e ouvido cientistas o dizerem. Que a chave para o problema esteja em rezas é que me parece um conceito mais da idade média do que do século XXI.
Que nas missas em vez de rezar pela chuva, os padres dêem um sermão para que as pessoas sejam mais conscientes do mundo em que vivem, que tratem a natureza com respeito, que poluam menos e reciclem mais, pois o planeta está a ficar doente devido à ação do homem e não por qualquer força demoníaca.
Que os padres em vez de rezarem para que chuva venha, exijam, com a sua força ainda hoje presente junto dos governos, que estes ganhem juízo e aprovem e façam cumprir leis para defender o planeta, em vez de só estarem preocupados com a economia. Isso sim, era uma boa iniciativa, isso sim era de valor e todos nós e os nossos descendentes agradeceriam no futuro.