Stephanie Lecocq / EPA
O presidente do Eurogrupo, Mario Centeno
Há um “desastre” a formar-se para Portugal que, dentro de 20 anos, pode ser o país mais pobre da União Europeia (UE), sendo ultrapassado por países como Bulgária, Roménia, Hungria e Polónia. A previsão é do Fórum para a Competitividade, que alerta que não se pode “ficar parado à espera” do pior cenário.
Esta previsão é traçada na “Nota de Conjuntura” alusiva ao mês de Fevereiro de 2020 do Fórum para a Competitividade e lembra que a Comissão Europeia (CE) prevê, para 2020, que dentro dos países da coesão, “só a Espanha deverá crescer menos do que Portugal em 2020 e 2021″.
Ora, “extrapolando os resultados dos últimos quatro anos para o futuro, até 2024, Portugal seria ultrapassado pela Hungria, Roménia, Polónia e Letónia, ficando a ser um dos quatro países mais pobres da UE”, alerta o Fórum para Competitividade.
Considerando as contas da CE, o Fórum sustenta que em 2031, seríamos ultrapassados pela Croácia e que até a Grécia o pode fazer também nos próximos anos. “Portugal ficaria então o segundo país mais pobre da UE, só à frente da Bulgária, passando para o último lugar dentro de vinte anos“, aponta-se na “Nota de Conjuntura”.
O Fórum destaca que, “neste ano e no próximo, Portugal deverá crescer 1,7%, apenas três décimas acima da média da UE”. Ora, “com este ritmo de “convergência”, o nosso país precisaria de mais de 200 anos para alcançar a média” da UE. Países como Eslovénia e Lituânia “já nos ultrapassaram” e “estão a convergir de forma mais clara com as economias mais avançadas da UE”, sustenta a nota.
Perante este quadro, o Fórum aponta que não se pode “ficar parado à espera que todo este desastre se concretize sem fazer nada para o contrariar”.
“Impõe-se estudar o que está a ser feito nos países da Coesão, para que eles consigam tão bons resultados e Portugal compare tão mal com eles“, frisa a entidade, manifestando disponibilidade para integrar um “grupo de trabalho” que possa “contribuir para impedir este empobrecimento relativo do país”.
Este grupo de trabalho deverá incluir a participação dos Ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros e ser aberto à sociedade civil, nomeadamente a Universidades, Associações Patronais e Sindicatos, defende o Fórum.
Como possíveis “recomendações” de curto, médio e longo prazos que poderiam sair deste grupo de trabalho, o Fórum enuncia a “simplificação de licenciamentos e de burocracia em geral”, a convergência das “taxas de imposto praticadas em Portugal” com as dos países da coesão e um “investimento significativo” na formação.
Coronavírus pode motivar “perturbações excessivas”
O Fórum para a Competitividade também analisa os efeitos do coronavírus na economia, considerando que os receios “podem conduzir a perturbações excessivas”.
“É muito cedo para tentar estimar os impactos económicos, mas já há fortes quedas das importações de petróleo e matérias primas da China, bem como problemas nas cadeias de valor de produtos industriais e médicos, de que este país é um importante produtor”, frisa o Fórum.
Certo é que os “mercados financeiros parecem muito preocupados, com a queda dos mercados accionistas na última semana de Fevereiro a constituir a maior descida semanal desde a crise de 2008″, aponta-se também na nota.
“O lado favorável deste vírus é que poderá constituir um travão para outros riscos políticos em curso, em especial a guerra comercial entre os EUA e a China”, analisa ainda o Fórum, frisando que o evoluir do contágio ao longo dos meses de Março e de Abril será determinante para avaliar, de forma mais concreta, os efeitos económicos da epidemia.
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Por cá está tudo bem. Felizmente o povo vive alienado e é de um modo geral burro e vai votando no atual gangue que está por todas as formas a voltar aos velhos tempos do 44. Enquanto assim for...